Hugo Kerth fala sobre viver personagem antológico da teledramaturgia em “Espelho mágico”

Hugo Kerth é mais um talento em destaque em “Espelho Mágico”, musical que segue temporada até 3 de maio no BTG Pactual Hall, em São Paulo. O ator é responsável por dar vida a um dos personagens mais emblemáticos da teledramaturgia brasileira, Odorico Paraguaçu, o prefeito caricato e populista de “O Bem amado”, vívido pelo ator Paulo Gracindo na novela clássica de Dias Gomes, exibida em 1973 na TV Globo.

“O personagem me acompanha durante todo o espetáculo e, assim como os demais personagens antológicos da teledramaturgia da TV Globo que tem na peça, ele “assombra” o autor, vivido por Marcos Veras, protagonista desta história, em diversas aparições. Porém, uma delas é a aparição principal, onde Odorico entra numa disputa política com Sinhozinho Malta, de “Roque Santeiro”, destacando aí sua aparição mais relevante. A cena mostra as diferenças culturais de um Brasil próximo, enaltecendo as diversidades de povos que a TV brasileira mostra, utilizando do debate político que retrata a realidade dos embates de figuras públicas conhecidas da nossa política brasileira”, complementa.

Kerth, que tem 34 anos, não era nascido na época da exibição da obra de Dias Gomes na Globo e para compor o seu personagem recorreu a pesquisa e também procurou buscar mais da atuação original feita por Paulo Gracindo.

“Eu conhecia o personagem de nome, pela fama e pelas frases-bordões, mas nunca havia assistido à novela, acredito que principalmente pela distância de gerações, haja vista que a novela é dos anos 70 e eu fui nascer somente vinte anos depois. Para fazer a composição, além de assistir a diversos trechos do personagem na novela, busquei me aprofundar nos trejeitos e na voz de Paulo Gracindo, ícone e grande referência da atuação cênica no Brasil”, revela.

O fluminense, que nasceu em Teresópolis (RJ), onde morou até os 18 anos, está muito feliz em estar em “Espelho mágico”, pois retrata os 60 anos da TV Globo e os seus momentos mais marcantes, algo que fez parte da vida e o inspirou, ainda criança, na sua trajetória como ator.

“Cresci assistindo a TV Globo, sendo eu uma criança de teatro no interior do estado do Rio. Poucas eram as referências teatrais ou de atuação cênica que eu convivia à época e a TV Globo, sem dúvidas, me deu escola e anseio por seguir na carreira. Foi assistindo a Globo que eu tinha cada vez mais certeza da minha escolha de carreira, embora eu continue sendo um homem de teatro, mas desejoso por viver personagens iguais aos que eu via na TV, participar de processos artísticos e, sobretudo, despertar a minha paixão por atuar. Novelas que me despertaram pro que eu sou hoje incluem “América”, “Malhação” (eu queria muito ter atuado nessa novela!), “Alma Gêmea”, “Chocolate com Pimenta” e “O Clone”. O mais legal que o teatro me deu foi ter conhecido pessoas da TV que eu admirava ainda adolescente e nem sonhava em fazer tantas peças profissionais de sucesso. Por exemplo, a atriz Bia Montez, que fazia a Dona Wilma em Malhação, eu fiz o neto dela em “O Primeiro Musical A Gente Nunca Esquece”, que também foi produzido pela Aventura nos anos de 2015 e 2016. E, atualmente, contraceno com a Eliane Giardini, que em “O Clone”, e em “América”, me fazia me emocionar. “Toma Lá Dá Cá”, “A Diarista” e “Sai de Baixo” eram meus programas de comédia favoritos, sem dúvidas”, relembra.

Além do trabalho em cena, ele também tem um trabalho fora dos palcos na produção. Kerth, que é formado em canto pela New York Vocal Coaching, é coach de voz do protagonista Marcos Veras, um pedido feito pelo próprio ator a Hugo.

“Há pouco menos de um mês da nossa estreia em São Paulo, o Marcos me chamou no ensaio e pediu que o ajudasse com as músicas do espetáculo. Embora estivesse em seu terceiro musical seguido, ele sentia que podia ter mais segurança e autoconfiança cantando. Ele tem uma ótima voz e é sobretudo um ótimo aluno, que escuta as orientações com muito cuidado. Eu o elogio por ter tido a coragem de buscar ajuda profissional porque não são todas as pessoas que julgam necessário e a nossa tarefa de preparador vocal é, sim, extremamente importante para os atores de musical, sobretudo os que, como ele, têm muito destaque e muitas músicas para dar conta. Nesse sentido, eu venho auxiliando-o com cuidados básicos de voz, ensinando como mantê-la saudável e estável durante a temporada. E ele não para né? Além da peça, ele segue cumprindo outros compromissos profissionais que poderiam causar-lhe algum tipo de fadiga vocal pelo uso intenso. Nosso trabalho tem sido, portanto, preventivo e direto no repertório do espetáculo. Eu passo aquecimento vocal pra ele e desaquecimento, a gente cuida da respiração e da ressonância, e faço um trabalho de fortalecimento da musculatura, criando nele mais autoconfiança e mais durabilidade da voz”, conta.

Hugo diz que é um professor orgulhoso, pois após as aulas o aluno tem mostrado na hora dos ensaios e apresentações sua evolução.

“Logo após a nossa primeira aula, ainda nos ensaios do Rio, ele notou diferença ao cantar as músicas e, logo em seguida, outras pessoas do elenco comentaram e perguntaram a ele se estava se preparando. Outra surpresa bacana foi que, ao colocar o microfone pela primeira vez e cantar, nos ensaios gerais, foi elogiado pela direção e por outras pessoas que assistiam, destacando a sua evolução. Esse feedback é excelente para o aluno, porque como a gente sempre se escuta diferente, ver que o outro está percebendo na gente uma clara evolução, isso dá um gás enorme pra seguir em frente!”, menciona.

Foto Aloysio Araripe

Após “Espelho Mágico”, que depois de São Paulo seguirá temporada no Rio de Janeiro, de 15 de maio até 7 de junho, no Teatro Riachuelo, Hugo quer se dedicar à fonoaudiologia e à pesquisa, voltando a dar aulas de canto. O ator, que mora no Rio de Janeiro, no bairro da Tijuca, há 15 anos, atua profissionalmente há mais de 10, e é um dos destaques no mundo dos musicais, tendo feito produções de diversos gêneros, não somente em cena, mas também em funções importantes fora de cena. Em 2025 fez o seu primeiro monólogo, onde assumiu diferentes funções, o off-Broadway “Diva: Ao Vivo do Inferno!”.

“Destaco na minha carreira “O Primeiro Musical A Gente Nunca Esquece” como primeiro papel de destaque num musical profissional de grande porte; outro foi “Chacrinha”, pela visibilidade do projeto e pela qualidade em si; assim como o musical do “Zeca Pagodinho”, onde eu tinha um super destaque e fiz temporada em São Paulo, que à época, rendeu ótimos elogios da crítica especializada em relação à minha atuação; destacaria ainda “Thomas E As Mil E Uma Invenções”, de Vanessa Dantas com músicas do icônico maestro e compositor Tim Rescala, do qual tive a honra de ser protagonista e a produção ter sido indicado a vários prêmios; outro destaque é o “Copacabana Palace”, que fiz como ator, mas antes disso fui convidado a ser diretor assistente e foi meu primeiro trabalho nesta função. Ainda fora dos palcos, tem o “República Lee, Um Musical Ao Som de Rita”, do Tauã Delmiro, onde fui convidado a fazer a direção musical e todos os arranjos vocais, no âmbito profissional foi a primeira vez executando essa dupla função, e no ano seguinte entrei pro elenco e foi delicioso fazer parte. Por último, eu destacaria o meu trabalho mais recente, o meu solo musical “Diva: Ao Vivo do Inferno!”, que eu mesmo produzi, comprei os direitos do off-Broadway, traduzi o texto e versionei as músicas, e foi meu primeiro monólogo na vida. Foi um super desafio fazer sem patrocínio, mas, ao mesmo tempo, foi delicioso ter essa experiência!”, completa.

‘Espelho Mágico’, musical que celebra esta trajetória de imenso sucesso em uma superprodução com 32 atores em cena, texto e direção de Gustavo Gasparani, direção musical de Wladimir Pinheiro e produção da Aventura, de Aniela Jordan e Luiz Calainho.

Apresentado pelo BTG Pactual e com patrocínio da B3, o espetáculo estreia dia 20 de março no BTG Pactual Hall em São Paulo.

 Instagram oficial https://www.instagram.com/hugokerth/

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