A escritora carioca Thainá Fernandez lança, no dia 25 de julho, às 11h, o romance Beijada pela maré (244 páginas) durante a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). O lançamento do livro, que associa elementos de fantasia a uma crítica ao capacitismo estrutural no ensino superior, ocorrerá no espaço da Casa da Leitura e do Conhecimento SECEC RJ.
A obra foi viabilizada pelo edital Literatura do Rio ao RJ, promovido pela Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro. Trata-se do terceiro romance da autora e do seu primeiro projeto a receber financiamento de um mecanismo de fomento público.
A trama acompanha Nina Meireles, uma estudante de Biologia Marinha de 21 anos que, após receber o diagnóstico tardio de autismo, depara-se com barreiras institucionais e pedagógicas no ambiente universitário. Diante do esgotamento e da falta de suporte na academia, Nina entra em licença médica e viaja para Paraty, no litoral fluminense, para se hospedar na pousada de sua tia-avó. O período de reclusão ganha novos contornos quando ela conhece Azul, uma criatura marinha misteriosa que não consegue regressar ao oceano.
Crítica ao meio acadêmico e representatividade
O romance propõe um debate sobre a exclusão de pessoas neurodivergentes em ambientes que se autoidentificam como inclusivos. Por meio da trajetória da protagonista, a escritora expõe o impacto de sistemas meritocráticos e a ausência de adaptações curriculares e de acessibilidade adequadas às necessidades de estudantes com deficiência.
A construção do perfil de Nina ampara-se também na experiência pessoal de Thainá Fernandez, que recebeu o diagnóstico de autismo na idade adulta. “Falo sobre amadurecimento, afeto, amor-próprio e a sensação de não pertencer completamente a lugar nenhum, mas ainda assim encontrar amor e a possibilidade de conexão onde menos se espera”, explica a autora na apresentação do livro. Em sua carta de abertura, Thainá resume a essência da obra: “Beijada pela maré é sobre sentir que está prestes a se afogar antes de encontrar um último fôlego e nadar de volta à superfície”.
A narrativa dialoga com referências clássicas e contemporâneas do realismo fantástico, como o conto A Pequena Sereia, de Hans Christian Andersen, e o filme A Forma da Água, de Guillermo del Toro. No entanto, essas inspirações são transpostas para um cenário regionalizado, caracterizado pelas paisagens de Paraty, pela cultura litorânea fluminense e pelo cotidiano de jovens pesquisadores brasileiros.
Trajetória da escritora
Thainá Fernandez, de 35 anos, é bióloga, mestre em Ciências pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e pós-graduada em Escrita Criativa. Dedicando-se à publicação independente desde 2020, ela é autora dos romances Minha vida improvisada (2022) e Mensageiro do legado (2023), obras que também trazem personagens autistas no papel principal e que figuraram entre as mais vendidas da plataforma Amazon. Em 2025, a escritora foi selecionada como finalista do concurso literário Livros do Futuro, organizado pela plataforma TikTok.
Para Fernandez, o suporte governamental foi decisivo para a consolidação de sua produção literária. “Políticas públicas de incentivo à literatura são divisoras de águas. Existe a minha carreira antes e a minha carreira depois de ter sido contemplada por esse edital”, conclui.
Via Assessoria de Imprensa
