Estreia nesta quinta-feira, 16 de abril de 2026, nos cinemas brasileiros, uma nova adaptação em live-action de Pinóquio que se afasta do imaginário popular consolidado ao longo de décadas. Inspirado no conto clássico criado por Carlo Collodi no século XIX, o filme chega ao público com uma proposta distinta daquela que se tornou mais conhecida mundialmente por meio da versão da Walt Disney Company. Desta vez, trata-se de uma leitura influenciada por tradições russas da história, aproximando-se de variações como a de Buratino, personagem popular no Leste Europeu.
Dirigido por Igor Voloshin e produzido por Fedor Bondarchuk, o longa aposta em uma abordagem que busca revisitar os elementos centrais da narrativa original sob outra perspectiva cultural. A trama mantém a essência da jornada do boneco de madeira criado por Gepeto, que deseja se tornar humano, mas reorganiza situações, personagens e motivações ao longo do caminho.
O filme apresenta propostas interessantes ao longo de sua narrativa, especialmente ao tentar expandir o significado da jornada de Pinóquio para além de uma simples lição moral. Há uma tentativa de explorar questões mais amplas ligadas à identidade e ao pertencimento, sugerindo uma leitura menos didática e mais aberta à interpretação. No entanto, essas ideias não encontram o desenvolvimento necessário para ganhar consistência. Muitas delas surgem de forma promissora, mas acabam se dissipando ao longo do filme, criando uma sensação de vazio.
Essa irregularidade também se reflete na construção dos personagens. Parte do elenco cumpre funções pouco relevantes dentro da história, surgindo e desaparecendo sem causar impacto real na trajetória do protagonista. São figuras que parecem existir mais como preenchimento do que como peças fundamentais da narrativa, o que contribui para a sensação de dispersão.
Reprodução/Paris Filmes
Em contraste, há escolhas que funcionam muito bem. As baratas, por exemplo, surgem como um dos grandes acertos do filme. Com presença marcante e um tom bem-humorado, elas trazem leveza e conseguem estabelecer uma conexão imediata com o público. São personagens que, mesmo secundários, demonstram mais personalidade e propósito do que outros elementos centrais da trama, ajudando a equilibrar o ritmo em momentos pontuais.
A trilha sonora, por outro lado, não acompanha esse mesmo nível de acerto. As músicas não conseguem cativar e passam sem deixar marcas significativas. Em vez de reforçar a emoção ou contribuir para a narrativa, acabam soando pouco memoráveis, o que enfraquece ainda mais o impacto de determinadas cenas.
Diferenças com a versão da Disney
Ao comparar com Pinóquio, as diferenças se tornam mais evidentes na própria estrutura da história. A versão clássica popularizou uma narrativa centrada em lições morais claras, com foco na obediência, na honestidade e nas consequências das escolhas do protagonista. Já o filme de 2026 reorganiza esses elementos, reduzindo o caráter pedagógico e apostando em uma construção mais livre.
Enquanto a adaptação da Disney apresenta uma sequência bem definida de eventos, com começo, meio e fim claramente estruturados, esta nova versão adota uma progressão mais solta. Episódios que tradicionalmente são centrais na história aparecem modificados ou reinterpretados, e o desenvolvimento do personagem principal não segue a mesma lógica linear.
Outra diferença importante está na forma como o protagonista é construído. Na versão clássica, Pinóquio passa por uma transformação gradual e bem delineada. Aqui, essa evolução se mostra menos evidente, com mudanças que nem sempre são plenamente justificadas dentro da narrativa.
Essas escolhas evidenciam a intenção de criar uma leitura alternativa da obra original, mas também ajudam a explicar por que o filme pode causar estranhamento em quem está acostumado com a estrutura mais tradicional. No fim, trata-se de uma adaptação que busca novos caminhos, mas que encontra dificuldades em sustentar suas próprias propostas ao longo do percurso.
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