Show do Baco em Curitiba lembra os motivos pelos quais o artista baiano é tão amado

Na noite do dia 9 de maio, a Live Curitiba recebeu Baco Exu do Blues para mais uma parada da HASOS Show Tour, duas horas de show depois, ninguém queria ir embora. E a gente entende. Caso você não tenha presenciado esse show, separamos alguns motivos do porque para você:

1. Suas músicas não deixam ninguém impune

HASOS, quinto álbum de estúdio de Baco Exu do Blues, levou três anos para ficar pronto. O título não é aleatório: é um anagrama do latim que significa “a humildade mata o orgulho”, inscrito na espada de um quadro de Caravaggio. Esse nível de referência já diz muito sobre o que esperar do disco.

Em HASOS, a chave vira.

O artista apresenta 18 faixas que, embora costuradas por uma narrativa visual única, exploram uma sonoridade distinta em cada canção. Rap, R&B, MPB e muito mais coexistem sem que nada soe forçado. Sobre o processo, Baco foi direto em entrevista à Rolling Stone Brasil, “Pode ser um interlúdio ou uma faixa, mas ela vai parar e falar assim: isso daqui foi muito para mim. Eu preciso revisitar isso daqui na minha vida agora. Eu preciso parar para conversar com alguém sobre isso, buscar uma terapia, escrever no caderno”, relatou.

O intuito do artista com HASOS era fazer um álbum em que ninguém ‘saísse impune’. Ele queria que qualquer ouvinte fosse afetado por pelo menos uma faixa, e no palco da Live Curitiba, isso se confirmou por muitas faixas.


Saiba mais sobre HASOS: Baco Exu dos Blues traz a terapia como narrativa central do seu novo álbum “HASOS” – O Folhetim Cultural

2. Ele é uma pessoa querida de verdade

Há artistas que constroem uma persona de proximidade com o público. Baco simplesmente é próximo. Durante as duas horas de show em Curitiba, ele conversou com os fãs, respondeu ao que a plateia mandava, e fez tudo isso com uma naturalidade que não se ensaia. Não foi um momento calculado de “interação com o público”. Foi só ele sendo ele.

Como por exemplo, antes da última música tocar e encerrar o show, o cantor avisou os fãs e fez um combinado prévio “ou a gente se lamenta, ou a gente vive intensamente o momento de agora […] então é o seguinte, nessa última música, quem voltar com voz para casa nunca mais fala comigo”.

O artista demonstra muito entrosamento com seu público, estando a todo momento ligado e atencioso, e quem acompanha a carreira dele sabe que isso não é novidade. No Lollapalooza 2023, no TIM Music Rio 2024, nos shows do QVVJFA, a história se repete: Baco deixa a plateia sentir que está ali para ela, não para uma câmera.

3. A banda é um show à parte

Esse ponto merece destaque especial. Você chega achando que vai ver o Baco e descobre que a noite inteira é maior do que isso. As backing vocals Aísha Kali (@euaisha) e Mirella Costa (@mirellacostaoficial) são, sem exagero, imperdíveis.

Aísha é compositora do álbum Escândalo Íntimo, de Luísa Sonza, e do grande hit Braba. Ela começou a cantar aos 13 anos, na igreja, e foi graças ao ambiente religioso que descobriu suas principais influências: R&B e black music. No palco, isso aparece em cada nota. Mirella Costa, pernambucana formada pelo Berklee College of Music, já emocionou o público do Lollapalooza 2023 ao cantar à capela “Força Estranha” em homenagem a Gal Costa, e no TIM Music Rio 2024 parou a plateia ao interpretar “Você Me Vira a Cabeça”, de Alcione. Vale registrar também que Mirella assina a faixa “Garçom da Ausência” no álbum HASOS, o que coloca as duas ainda mais dentro do universo criativo do projeto.

4. O show cresce junto com a noite, e o repertório é uma aula

Uma das marcas dos grandes shows é que eles não mantêm um nível: eles escalam. O de Baco em Curitiba funcionou exatamente assim. O que já começou bom foi ficando cada vez melhor à medida que a noite avançava, e quando chegou no clímax, a Live estava completamente entregue. 

Parte desse efeito vem da inteligência do repertório. Baco intercalou as faixas do HASOS com alguns dos maiores sucessos da sua carreira, e a plateia respondeu a cada um deles, “Autoestima”, “20 Ligações”, “Mulheres Grandes”, “Me Desculpa Jay-Z” e “Flamingos” estiveram entre os momentos em que público cantou em coro coletivo, com cada verso sendo devolvido de volta ao palco pelos fãs, grupo majoritariamente jovem, conhecido como “facção carinhosa”.

Dois álbuns separados por anos de carreira soaram como uma obra só, e isso não é pouca coisa.

5. Ele tem um lado divertido que poucos esperam

A imagem que se tem de Baco de longe é a de um artista denso, introspectivo, de obra pesada. E é tudo isso mesmo. Mas ao vivo, há uma camada a mais que a noite foi entregando com generosidade: ele é muito divertido.

O momento que melhor resumiu isso aconteceu durante a execução de “Sertão sem Flor”, quando Baco foi dançar com Mirella Costa no palco. No meio da música, ele simplesmente se perdeu na letra. Em vez de tentar disfarçar, parou, riu de si mesmo e brincou com o público dizendo que não conseguia fazer mais de uma coisa ao mesmo tempo. A plateia caiu na gargalhada junto com ele. Foi um desses momentos que não se planeja e que fazem um show ser inesquecível justamente pela humanidade que revelam.

Baco cria uma verdadeira experiência única de música ao vivo, com um sentimento de comunidade sempre presente. Ele dança, ri, interage, responde ao que a plateia manda, e faz tudo isso sem perder nem um segundo de presença artística. É a combinação que poucos conseguem: a seriedade da obra e a leveza de quem está genuinamente bem naquele palco, naquele momento, com aquela plateia. Curitiba sentiu isso. E a gente, que estava lá para cobrir, também sentiu.

Escute HASOS:


 

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