No dia 11 de maio é comemorado o dia nacional do reggae, no resto do mundo o dia é comemorado no dia primeiro de julho. A data brasileira se deve à homenagem ao dia do falecimento de Bob Marley. Por isso o Folhetim preparou uma reportagem para falar mais desse gênero musical tão atrativo
O reggae surgiu na Jamaica na década de 1960 e tem sua essência ligada ao movimento rastafári, filosofia conectada à espiritualidade, natureza e resistência contra a opressão. O gênero foi popularizado mundialmente por Bob Marley e rapidamente ultrapassou as fronteiras jamaicanas, chegando ao Brasil nos anos 1970 por meio de discos, rádios e influências culturais caribenhas. O ritmo encontrou forte identificação em São Luís, conhecida como “Jamaica Brasileira”, e passou a dialogar com jovens das periferias e movimentos ligados à identidade e resistência.
O reggae roots, considerado a vertente mais tradicional do gênero, ficou marcado pelo ritmo desacelerado, pelas linhas graves de baixo e pela guitarra em contratempo. Suas letras abordam temas como espiritualidade, desigualdade social, resistência e valorização das raízes africanas. No Brasil, o roots teve papel importante na formação da cena reggae nacional, influenciando artistas, bandas independentes e movimentos culturais, especialmente em estados como Maranhão e Bahia.
Assim, atualmente o reggae é marcado tanto pela presença de artistas populares quanto pela força de festivais e movimentos culturais. Bandas como Natiruts ajudaram a aproximar o reggae do pop e da MPB, enquanto Maneva mistura reggae roots com elementos do pop contemporâneo. Outro destaque é Tribo de Jah, referência do reggae roots nacional e fortemente ligada à tradição jamaicana.
O reggae consegue se manter principalmente por festivais que preservam a cultura do reggae. Em São Luís, eventos como o Festival Ilha do Reggae e o Rasta Reggae Festival reforçam a cidade como principal polo regueiro do país, reunindo artistas, radiolas e manifestações culturais afrodescendentes. Com o crescimento do streaming e das redes sociais, o gênero passou a alcançar novos públicos, especialmente jovens que consomem músicas em formatos mais híbridos.
Esses gêneros híbridos é o que atrai muito dos jovens e do novo público ao estilo musical, nele são incorporados estilos como pop, hip hop e MPB, ampliando sua sonoridade e alcance. Essas fusões contribuíram para a criação de músicas mais comerciais, melódicas e próximas das experiências urbanas contemporâneas, sem abandonar completamente as raízes do gênero.
Além da música, o reggae consolidou-se como expressão cultural ligada à identidade, liberdade e resistência social. Em estados como São Paulo, Maranhão e Bahia, o gênero passou a integrar manifestações culturais locais e movimentos sociais ligados às periferias e à juventude.
Mesmo com sua relevância cultural, o reggae brasileiro ainda enfrenta desafios como o espaço reduzido na mídia tradicional e a concorrência com gêneros de maior alcance comercial. Ainda assim, o estilo continua ativo por meio de festivais, coletivos culturais e da forte conexão construída com seu público ao longo das décadas.
