Anitta: Cantora lança mais um álbum que transforma brasilidade em poesia e conta com participações especiais; Conheça o trabalho

A cantora Anitta lançou na quinta-feira (23) o seu mais novo álbum “Equilibrivm II”, continuação do projeto lançado em abril deste ano. O trabalho retoma as reflexões sobre amor, ancestralidade e espiritualidade. Com participação de Maria Bethânia, Alceu Valença, Mar’nália, MC Tha, Alexandre Carlo, Mestrinho e King Saints. 

“Me coloquei inteira nesse disco. Quem ouvir vai perceber isso. São músicas que têm muito da minha espiritualidade, da minha visão de mundo, das brasilidades que me encantam e pitadas autobiográficas também”, conta a artista. “Cada escolha, tanto musical quanto visual, tem intenção aqui. Tenho muito orgulho do que estamos entregando”.

Mesclando o tamborzão do funk com os tambores do Candomblé, Anitta abre o álbum a faixa “Você Já Sabe”, dialogando com o hit “Meia-Noite”, do primeiro volume. Em “Sem pressa”, com participação de MC Tha, as artistas cantam sobre a beleza de viver uma vida sem pressa, unindo os prazeres e as bênçãos a serem agradecidas. “Descobri a MC Tha por causa dos meus fãs, que pediram muito que eu gravasse com ela. Me apaixonei de primeira pelo trabalho dela”, contou Anitta.

Em coletiva de imprensa ontem (24), a cantora comentou a importância de trazer esse momento para os fãs e para a indústria cultural, que tem visto cada vez mais artistas engajados em pautas que prejudicam a vida da população, como jogos de azar. Além do interesse no debate pelo fim da escala 6×1. “Quando eu voltei a trabalhar no álbum ao mesmo tempo que estava filmando o novo filme da Globo, minha escala era de segunda a sábado de trabalho e percebi que acabei retrocedendo toda a minha evolução espiritual e enquanto pessoa.”, revela a artista. 

Além disso, Anitta revela que esse tipo de trabalho é a realização de um desejo muito pessoal, sem visar o retorno financeiro. “Vai demorar muito tempo para eu fazer algo assim de novo, porque é um projeto que o investimento é muito alto e que você não pode fazê-lo pensando no retorno.”

Sobre as datas da turnê, a cantora frisou que as poucas cidades servirão como teste para resposta de público. “Além de artista, eu sou uma mulher de negócios e não vou investir numa coisa sem saber como vai funcionar. Vamos ver como vai ser a resposta do público, da mesma forma que fizemos com os Ensaios que começou ‘flopado’, tendo prejuízo e hoje se tornou esse grande evento”, ressaltou. 

O álbum ainda traz grandes hits como “Abre caminho”, com participação de Alexandre Carlo, que demonstra uma parceria mais dançante do reggae. Alceu Valença entra no repertório com a faixa “Não me cutuca”, sendo considerado um forrozão maravilhoso, pela cantora. “É um forrozaço maravilhoso que eu tenho a honra de cantar com o Alceu. É uma letra mais leve, e até debochadinha. Mas super nesse lugar de só querer ser feliz, longe de conflito, absorvendo só o que faz bem pra gente”, conta Anitta.

Créditos André Nicolau

Fé Brasileira

Mestrinho participa do álbum em uma faixa muito particular, que carrega em seu refrão uma ode a padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida, com a música “Eu não sou santa”. Minha mãe estava com a gente no estúdio durante a gravação. E ela não parava de falar que a música era linda. Concordo super com ela. ‘Eu Não Sou Santa’ me lembra muito as mulheres da minha família, que são devotas de Nossa Senhora. É uma música que representa muito a fé dos meus e também de milhões de brasileiros”, relembrou a cantora.

Maria Bethânia, uma das participações mais aguardadas do disco, chega com Leticia Fialho para a música “Ogum me rodeia”, faixa que celebra a ancestralidade e religião de Anitta. O orixá, fortemente associado a São Jorge, é conhecido como o patrono dos trabalhadores. “Essa música tem uma sonoridade atemporal e letra que é poesia pura. Até hoje fico muito emocionada com ela, principalmente porque eu já me apeguei muito à energia de Ogum nos momentos em que eu achava que não daria conta do meu trabalho. E tenho certeza que muitos brasileiros fazem isso diariamente. É uma música sobre fé e sobre o Brasil, sabe?”, refletiu  Anitta.

Sua ligação com o Candomblé retorna também em “Feitiço”, faixa que conta com vocais de Mart’nália, que traz o ponto de Exu. Na música, as artistas trazem o poder das encruzilhadas e a segurança que a fé proporciona. O Grupo Orfá, da comunidade do Terreiro do Gantois, em Salvador, entra para a música “Contemplação”, com presença de versos em iorubá, considerada a música preferida de Anitta no álbum. 

 

Ancestralidade como ensinamento

Créditos André Nicolau

Em “Deus mãe”, Anitta e King Saints trazem o sagrado feminino, transmitido de mãe para filha. Os versos transmitem uma relação profunda entre quem gera e se faz casa, e quem agora vive para o mundo. 

Já em “OKE”, que fecha o disco, são os povos indígenas que ganham os holofotes. Mergulhando de fontes da música eletrônica e do funk, a faixa traz a potência dos povos ancestrais do Brasil de verdade, além do sample “Cabocla de Pena”, tradicional ponto de Umbanda. 

“Sal grosso”, traz o funk dos primórdios da artista para falar dos rituais de proteção e limpeza da alma. “Pra mim, a dança, a sensualidade e o corpo em movimento têm esse poder de cura e elevação. Então eu quis que a produção fosse bem dançante, pra celebrar essa energia ritualística”, conta a artista.

O sexo como paixão e encontro de corpos também é celebrado no álbum na faixa “Divino Sexual”, trazendo a reflexão sobre uma conexão entre almas e energias, baseado na filosofia tântrica. “O tantra entende a energia sexual como uma força vital capaz de integrar corpo, consciência e espiritualidade, rompendo com a ideia de que desejo e sagrado ocupam lugares opostos”.

Inspirada na dança de gafieira, na mesma levada, Anitta traz “Ponto do Pé”, que reflete sobre uma carga afetiva, como a da própria artista com sua família. 

Saindo do tema da Ancestralidade, Anitta traz “Azul”, com versões em espanhol do artista Djavan, sobre a pureza e a imensidão do amor. Já para falar sobre a relação individual com a própria carreira, a cantora mergulha em uma bossa nova mais melancólica na faixa “Pra Você Gostar de Mim”, com a marchinha clássica imortalizada por Carmen Miranda em 1930. 

“Dá pra dizer que a Carmen Miranda foi o ponto de partida para essa minha jornada de autoconhecimento. Conhecendo a história dela, as formas com que ela teve que se dobrar para navegar naquela indústria, no que ela teve que passar pra gostarem dela… ‘EQUILIBRIVM’ nasce do meu desejo de que a minha trajetória tenha um final diferente da dela”, reflete Anitta.

“Respira”, é o ápice das confições da maior artista nacional das últimas décadas. O sambinha traz Anitta não apenas como cantora, como compositora que reflete sua trajetória no funk, que por muito tempo, representou muralhas. “Fiz questão de assinar essa tradução, porque são versos muito pessoais. Muito íntimos, sabe? Em que reflito sobre a minha carreira e alguns desafios que enfrentei, como mulher, nessa trajetória”, compartilha Anitta.

Filme do álbum

Créditos André Nicolau

Anitta, além de entregar um álbum denso, construído sobre cada milimetro de ancestralidade, poesia e compaixão por um país, trouxe para a nova fase da era, um curta-metragem. Com produção de Ginga Pictures, o projeto transforma as reflexões das músicas em um espetáculo cinematográfico. 

“Começamos o curta falando sobre o karma não como punição, mas como aprendizado”, reflete Anitta, que surge encarnando Carmen Miranda ao som da melancólica “Pra Você Gostar de Mim” – exatamente a faixa que a cantora destacou como ponto de partida narrativo do projeto. A inspiração visual aqui é o icônico número musical da atriz portuguesa no filme “Entre a Loura e a Morena”

 

Assista ao curta-metragem

 

 

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