É difícil pensar em atores que tiveram tanto impacto nas artes brasileiras quanto Marília Pêra. Reconhecida por uma versatilidade admirável, foi marcante no teatro, no cinema e na televisão. O documentário “Viva Marília”, dirigido por Zelito Viana e codirigido por Esperança Pêra-Motta, é um rápido passeio pela vida e obra dessa grande artista. Com 80 minutos de duração, serve não só como homenagem, mas também como um importante registro histórico.
O documentário é composto estritamente com imagens e áudios de arquivo. A única voz que ouvimos é a da própria Marília, em entrevistas concedidas ao longo de vários anos. O longa parte desde a infância da atriz, seguindo uma estrutura quase sempre linear. Não foge muito da estrutura de trazer os “melhores momentos” da carreira de Marília. Ainda assim, é possível sentir o evidente carinho e admiração que os realizadores sentem por ela.

Não podia ser diferente, já que o filme é produzido por pessoas muito próximas a Marília. A codiretora Esperança Pêra-Motta é filha da atriz, e o roteiro é assinado por Nelson Motta, pai de Esperança. Os momentos que mostram a relação de Marília com seus três filhos são alguns dos melhores do longa. É bonito ver como todos se tornaram artistas, muito influenciados pela mãe.
Outro ponto ressaltado no documentário é o profissionalismo de Marília. Mesmo iniciando a carreira ainda muito jovem, entendeu desde cedo que devia levar aquilo a sério. A atriz comenta sua fama de “difícil” e até brinca que não é fácil dirigi-la em cena. Ao mesmo tempo, afirma ter uma alma muito delicada. Reflexões como esta são frequentes no filme e trazem um olhar interessante da própria atriz sobre seu trabalho.
Fica também evidente o tempo em que Marília Pêra foi relevante para a cultura brasileira. Atuou em “Rosinha do Sobrado”, primeira novela das sete da Globo, em 1965. Em 2016, ainda estava atuando na emissora, na série “Pé na Cova”. No cinema, foi protagonista em “O Homem Que Comprou o Mundo”, de Eduardo Coutinho, lançado em 1968. Quase 40 anos depois, trabalhou novamente com o diretor em “Jogo de Cena”, de 2007.
Mas, talvez, os grandes do documentário são os que vemos a atriz em cena, o que diz muito sobre seu talento. É fácil entender o sucesso de Marília ao ver atuações marcantes como em “Apareceu a Margarida” e “Mademoiselle Chanel”. “Viva Marília” pode não apresentar novas histórias, mas é importante para manter viva a memória de um ícone do Brasil.
