Segredo Obscuro: Uma versão menos grotesca que A Substância e com um roteiro mais fraco

Segredo Obscuro parte de uma premissa bastante semelhante à de A Substância ao abordar a busca pela juventude e pela beleza em uma indústria obcecada pela aparência. Entretanto, enquanto o longa de Coralie Fargeat aposta no grotesco para reforçar sua crítica social, o filme dirigido por Max Minghella segue um caminho mais seguro, com um roteiro preguiçoso e incapaz de provocar o impacto que sua proposta sugere. Ainda assim, o tema central desperta interesse imediato. Questões relacionadas ao corpo, envelhecimento e autoestima possuem grande potencial de identificação com o público e tornam os primeiros minutos envolventes. O problema é que, conforme a narrativa avança, o filme parece perder o controle sobre as próprias ideias, desenvolvendo seus conflitos de forma superficial e conduzindo a trama por caminhos cada vez menos convincentes. 

O filme dirigido por Max Minghella com o roteiro de Jack Stanley acompanha a atriz Samantha Lake, cuja carreira está em declínio, é atraída para o universo glamouroso de Zoe Shannon, CEO da empresa de saúde e bem-estar Shell não apenas por se sentir mal com seu corpo mas pelo seu problema de pele. Quando pacientes começam a desaparecer misteriosamente, incluindo a jovem estrela Chloe Benson, Samantha passa a investigar a empresa e descobre que por trás da promessa de juventude e beleza pode existir um grande segredo. 

Aí surge outro problema do filme: a transformação da protagonista. Quando uma obra aborda temas como juventude e aparência, espera-se que o procedimento cause uma mudança perceptível na personagem. No entanto, Samantha continua praticamente a mesma pessoa, apenas demonstrando mais confiança. A falta de uma transformação clara enfraquece o impacto da proposta e faz com que a reação dos demais personagens pareça exagerada.

Além disso, ao longo da narrativa, Samantha começa a desenvolver escamas na pele, um elemento que remete à perturbadora cena de abertura e sugere consequências graves para o procedimento. O filme constrói suspense em torno dessa condição, levando o espectador a acreditar que ela terá grande importância para a trama. Porém, quando finalmente chega o momento da resolução, o problema é tratado de forma simples e apressada. Como resultado, toda a tensão criada em torno da deterioração da pele perde força, transformando um dos mistérios mais interessantes do filme em uma conclusão decepcionante.

No fim das contas, Segredo Obscuro parte de uma proposta interessante ao discutir questões relacionadas à aparência, envelhecimento e autoestima, mas acaba se perdendo completamente em seu terceiro ato. A trama abandona gradualmente os temas que a tornavam intrigante para mergulhar em uma sequência de acontecimentos cada vez mais caricatos e sem propósito claro. Todo o mistério envolvendo os desaparecimentos, construído ao longo do filme, recebe uma resolução preguiçosa e pouco satisfatória, incapaz de justificar a expectativa criada.

O mesmo acontece com os elementos de horror corporal. Enquanto obras como A Substância utilizam o grotesco para provocar desconforto e reforçar sua crítica, Segredo Obscuro parece recorrer a essas imagens apenas pelo choque visual. O resultado é um grotesco sem impacto e sem significado, que pouco acrescenta à narrativa. Ao tentar equilibrar o mistério dos desaparecidos com a discussão sobre autoestima, o filme acaba não desenvolvendo adequadamente nenhum dos dois temas, deixando a sensação de que possuía ideias interessantes, mas não sabia o que fazer com elas.

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