Primeiro espetáculo bilíngue para infâncias em português e guarani no Paraná, NHANDEREKÓ retorna aos palcos com novo elenco e protagonismo indígena

O Grupo Baquetá realiza a remontagem do espetáculo NHANDEREKÓ, obra voltada às infâncias que une teatro, música, contação de histórias e saberes originários. A montagem retorna aos palcos com novo elenco e direção, consolidando um marco para as artes cênicas paranaenses: trata-se do primeiro espetáculo bilíngue para crianças do Paraná a apresentar, em cena, as línguas portuguesa e guarani de forma integrada à dramaturgia.

Já apresentado anteriormente com o nome Nhanderecó, o espetáculo passa por um processo de reestruturação artística e conta agora com quatro intérpretes em cena. Integram o elenco os artistas indígenas do povo Mbya Guarani Juliana Kerexu Mirim Mariano, cacique, educadora e artista, e Ricardo Werá, multiartista guarani. Também participam Jamille Reddin, mulher afroindígena em processo de retomada de sua ancestralidade, e Kamylla dos Santos, mulher negra, neta de Xucuru Kariri, artista e fundadora do Grupo Baquetá.

“Levar a língua guarani para o centro da cena é uma escolha artística e política. Queremos que as crianças tenham contato com uma língua originária viva, falada hoje por milhares de pessoas, e possam reconhecer os povos indígenas como parte fundamental da nossa história e do nosso presente”, destaca Kamylla dos Santos, fundadora do Grupo Baquetá.

Ao longo de 50 minutos, o público acompanha uma experiência cênica que mescla cenas em português e guarani, cantos tradicionais, sonoridades afroindígenas, teatro de formas animadas e narrativas inspiradas no modo de vida do povo Mbya Guarani. Mais do que uma tradução entre idiomas, a proposta coloca a língua guarani no centro da criação artística, ampliando o acesso das infâncias aos saberes originários e contribuindo para a preservação e difusão de uma das línguas indígenas mais faladas do país.

A direção é assinada por André Daniel, artista que integrou a formação anterior do espetáculo e possui mais de duas décadas de atuação no teatro para crianças.

O projeto prevê quatro apresentações gratuitas no Expaço Excêntrico, destinadas a estudantes da rede municipal de ensino e uma apresentação direcionada ao público em geral. Com duração de 50 minutos e classificação livre, a obra apresenta cenas em língua mbya e em português, reunindo sonoridades guarani e referências afroindígenas construídas ao longo dos 15 anos de pesquisa do Grupo Baquetá.

A apresentação aberta ao público acontece no sábado, 13 de junho, no Espaço Excêntrico, às 11h com entrada gratuita. A sessão também contará com audiodescrição e libras. 

Foto Miriane Figueira

O modo de ser guarani

A criação do espetáculo parte da pesquisa sobre os povos indígenas brasileiros e dialoga diretamente com a Lei Federal 11.645/08, que estabelece a obrigatoriedade do ensino da história e cultura indígena e afro-brasileira nas escolas.

Para o povo Mbya Guarani, “Nhanderekó” significa o modo de ser guarani: manter a cultura viva, respeitar o meio ambiente e viver em harmonia com a natureza, retirando dela apenas o necessário para a sobrevivência. A partir dessa perspectiva, a peça propõe uma aproximação afetiva entre o público e as questões históricas e sociais que atravessam os povos indígenas na contemporaneidade.

A presença de artistas indígenas em cena é um dos grandes diferenciais da montagem, possibilitando ao público uma experiência de contato direto com saberes originários, especialmente da matriz guarani, tão presente no território paranaense.

Arte, educação e formação de público

Além das apresentações, o projeto promove ações educativas voltadas à formação de público e ao fortalecimento da educação antirracista.

Após cada sessão, será realizado um encontro de aproximadamente 15 minutos com o elenco, incluindo bate-papo sobre o processo criativo, reflexões sobre os povos indígenas e uma vivência de cantos e danças do povo Mbya Guarani.

Como contrapartida social, o projeto oferece a formação “Demarcando imaginários afroindígenas”, ministrada por André Daniel e Juliana Kerexu. Com carga horária de duas horas, a atividade é voltada para educadores, estudantes, cuidadores e pessoas interessadas na temática.

A formação aborda a arte negra e indígena, a aplicação da Lei 11.645/08 e possibilidades de construção de práticas educativas contracoloniais. Entre os temas discutidos estão a formação histórica do Brasil, as trajetórias de resistência dos povos negros e indígenas, o afrofuturismo, o indígenafuturismo e estratégias para o desenvolvimento de abordagens pedagógicas mais diversas e inclusivas.

Registro audiovisual e acessibilidade

Como parte das ações do projeto, será produzido um minidocumentário sobre o processo artístico da remontagem, registrando as trocas entre artistas indígenas, afroindígenas e negros, além de depoimentos do público e reflexões sobre identidade, pertencimento e ancestralidade.

O projeto também contempla medidas de acessibilidade. Duas sessões contarão com interpretação em Libras e uma apresentação terá recursos de audiodescrição.

Um convite à escuta dos saberes originários

Em um contexto no qual os povos indígenas continuam enfrentando desafios históricos relacionados à garantia de direitos, território e reconhecimento cultural, NHANDEREKÓ propõe um encontro sensível entre arte, educação e memória.

Ao valorizar os cantos, as histórias, as danças e os modos de vida dos povos originários, o espetáculo convida crianças, jovens e adultos a refletirem sobre a formação do Brasil e sobre a importância de reconhecer os conhecimentos ancestrais que seguem vivos e fundamentais para a construção de uma sociedade mais justa, diversa e plural.

Projeto realizado com recursos do Programa de Apoio e Incentivo À Cultura – Fundação Cultural de Curitiba, do Ministério da Cultura e do Governo Federal – Edital nº 032/2024 – Fomento Aldir Blanc – 2024.

Foto Miriane Figueira

Serviço

Grupo Baquetá apresenta 

NHANDEREKÓ

Quando: sábado 13 de junho 

Onde: Espaço Excêntrico – Rua Lamenha Lins, 1429 – Rebouças – Curitiba – Pr

Horário: 11h

Entrada: Gratuita. 

Foto de capa Miriane Figueira

Via Assessoria de Imprensa

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