De 7 a 31 de maio, o espetáculo “Pessoa Física” entra em cartaz na sala multiuso do Sesc Copacabana, com sessões de quinta a sexta-feira, às 19h, e aos sábados e domingos, às 18h. Contemplada pelo Edital de Cultura Sesc RJ Pulsar, a montagem tem texto de Cecilia Ripoll e direção de Marcela Andrade, e parte de um impasse comum — a relação entre burocracia e tecnologia — para investigar, com humor e acidez, os limites da vida mediada por sistemas, abordando temas como identidade, cidadania e memória. As sessões de sábado contam com intérprete de Libras.
Em cena, Pablo Aguilar interpreta uma sequência de homens que tentam concluir, sem sucesso, um cadastro para acessar uma conferência, enquanto Letícia Guimarães dá voz a um atendimento automatizado que responde, mas não resolve. O que começa como um procedimento simples se desdobra em desencontros que expõem o paradoxo central: para se cadastrar, é preciso ser alguém; para ser alguém, é preciso se cadastrar.
“Nas burocracias que atravessamos para viver, frequentemente nos vemos em situações que parecem ‘correr atrás do próprio rabo’: precisar de um telefone para reclamar que está sem telefone ou de acesso à internet para dizer que está sem internet. A mistura entre burocracia e meios de comunicação cada vez mais automatizados é um tema que nos interessa explorar até seus limites de absurdo”, afirma Cecilia Ripoll.
A ideia do espetáculo nasce de uma inquietação pessoal de Pablo Aguilar. “Existe um atrito constante entre o humano que insiste em existir como indivíduo e uma estrutura que reconhece apenas o que é padronizado. Hoje, esse conflito também passa pelo virtual: nossos desejos de pertencimento e validação atravessam dados, cadastros e sistemas. A pergunta ‘o que define que eu sou eu?’ deixa de ser só existencial e passa também pelos nossos registros digitais”, destaca o ator e idealizador.
A encenação organiza esse embate em uma dinâmica contínua, estruturada como uma busca por atendimentos e entendimentos — um movimento de encontro e desencontro dos homens com a voz e consigo mesmos. Em cena, a dupla sustenta essa relação num jogo de cumplicidade e sagacidade, dando forma às variações desse confronto.
“Pessoa Física é uma peça surpreendente, que mantém um fluxo de revelações capaz de conquistar espectadores diversos. A plateia acompanha uma trama feita de identificações cotidianas, mas, sobretudo, de desvios de expectativas óbvias”, diz Marcela Andrade. “É muito estimulante trabalhar a partir de um texto que é, ao mesmo tempo, reflexivo, engraçado e capaz de conduzir nossos pensamentos para uma ficção que convida urgentes realidades contemporâneas a estarem em jogo”, conclui.
A identificação com o público se dá por situações reconhecíveis, como falhas em logins ou atendimentos que não se resolvem, levadas ao limite. “São experiências muito corriqueiras. E é nelas que aparece o nosso lado mais humano: a falha, a impaciência, a sensação de impotência. Ao exagerar essas situações, a peça também provoca uma pergunta simples e inquietante: será que ainda sabemos existir fora dessa mediação digital?”, finaliza Pablo, que tem como referências o Teatro do Absurdo e obras distópicas da literatura e do audiovisual, como 1984, Admirável Mundo Novo e o filme Her.

Sinopse
Homens em sequência tentam se cadastrar para participar de uma conferência, mas esbarram repetidamente em falhas do sistema. No processo, interagem com uma voz que orienta, responde, e nunca resolve. Entre tentativas frustradas e recomeços constantes, a peça explora uma combinação explosiva dos tempos atuais: burocracia e tecnologia.
Cecilia Ripoll – autora
Dramaturga, diretora, atriz e professora, Cecilia Ripoll é formada em Licenciatura Artes Cênicas pela UNI-RIO. Como autora foi nos últimos anos indicada a importantes prêmios de teatro, como APTR (2026), Prêmio de Humor (2026) e Shell RJ (2023 e 2018). Em 2025 teve 4 textos inéditos estreando: Felizarda (dir. Beatriz Barros); O Fantástico Cérebro do Dr. Frederico (dir. Fernando Maatz/Teatro à Varejo); Quem é todo mundo? (dir. Pablo Aguilar) e Como nos Livros (dir. André Paes Leme).
Marcela Andrade – diretora
Marcela Andrade é diretora de teatro, mestra em artes cênicas e bacharela em direção pela Unirio. Há 20 anos, pesquisa atuação, texto e cena. Trabalha com ficções, documentários e com conteúdo infantojuvenil. Seus mais recentes trabalhos são: “Visto” (dramaturgia e direção – 2026); Teatro a Varejo (direção de uma das peças do repertório – 2025); “inconfissões” (dramaturgia e direção – 2023); “3 histórias encontram um rio” (dramaturgia e direção – 2022); “Vermelha” (direção – 2019); “Ana Fumaça Maria Memória” (dramaturgia e direção 2019). Marcela tem prêmios de direção e iluminação no 18° Festival de Teatro do Rio e foi indicada ao 6º Prêmio CBTIJ nas categorias texto original e direção.
Pablo Aguilar – idealizador e autor
Pablo Aguilar é ator e palhaço formado em Artes Cênicas pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro – UNIRIO. Integrante fundador do grupo Bando de Palhaços, com pesquisa voltada para a palhaçaria e comicidade, tendo atuado em espetáculos como “Como nos Livros” (2025) com direção de André Paes Leme e texto de Cecília Ripoll – indicado a melhor espetáculo, melhor dramaturgia, melhor direção e melhor cenário no 20º Prêmio APTR (2026) e a melhor texto para o Prêmio de Humor RJ (2026); “Adeus, Ternura” (2022), com direção de Rodrigo Portella e texto de Rafael Souza-Ribeiro e “Rio do Samba ao Funk” (2016) – Prêmio Especial APCA para Fernando Escrish pelo trabalho de direção em espetáculos de palhaçaria e “Na Borda do Mundo” (2021) supervisionado por Luis Carlos Vasconcelos e texto de Cecília Ripoll, indicado a melhor peça infanto-juvenil ao prêmio APTR (2022).
Ficha Técnica
Direção: Marcela Andrade
Texto: Cecilia Ripoll
Elenco: Letícia Guimarães e Pablo Aguilar
Assistente de Direção: Kailani Vinicio
Direção Musical: Marcello H
Figurino: Carla Ferraz
Cenário: Carla Ferraz, Marcela Andrade e Pablo Aguilar
Iluminação: Livs
Direção de Produção: Mariluci Nascimento / Brabíssima Produções
Produção Executiva: Milena Monteiro
Assessoria de Imprensa: Lyvia Rodrigues / Aquela Que Divulga
Fotografia: Rodrigo Menezes
Design Gráfico: Jaqueline Sampin
Mídias Sociais: Felippe Fonseca
Idealização e Coordenação do projeto: Pablo Aguilar
Serviço
Pessoa Física
Data: 7 a 31 de maio de 2026
Dias e horários: de quinta e sexta às 19h; sábado e domingo, às 18h.
Local: Sala Multiuso do Sesc Copacabana
Ingressos: R$ 10 (associado do Sesc), R$ 15 (meia-entrada), R$ 30 (inteira)
Endereço: Rua Domingos Ferreira, 160, Copacabana, Rio de Janeiro – RJ
Informações: (21) 3180-5226
Bilheteria – Horário de funcionamento: terça a sexta: 9h às 20h. Sábados, domingos e feriados: 14h às 20h
Classificação: 14 anos
Duração: 60 minutos
Venda online: Ingresso.com
Acessibilidade: sessões aos sábados com intérprete de Libras
Via Assessoria de Imprensa
