Mulheres Huni Kuĩ apresentam exposição de tecelagem tradicional e memória indígena em Curitiba

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Encontro “Memória Viva — Isso não começa aqui” acontece em 13 de novembro, na Alfaiataria Espaço de Artes, e reúne exposição de peças autorais, cantos tradicionais, cinema, música e histórias da cultura Huni Kuĩ.

A arte de tecer também é uma forma de contar histórias, preservar memórias e transmitir conhecimentos entre gerações. É a partir dessa perspectiva que mulheres Huni Kuĩ da Associação Aîbu Kene Keneya, organização indígena do município de Jordão, no Acre, chegam a Curitiba para apresentar o encontro cultural “Memória Viva — Isso não começa aqui”. A programação acontece no dia 13 de novembro, a partir das 19h, na Alfaiataria Espaço de Artes, com exposição de tecelagem tradicional, cantos, cinema, música e momentos de convivência.

Representando a Associação, participam do encontro Bimi Pinu Kuĩ, presidente da organização; Itã Banu Bake, vice-presidente; e Txanapai, tesoureira. A iniciativa aproxima o público da produção artística e dos conhecimentos das mulheres Huni Kuĩ, colocando em evidência a autoria feminina indígena e as histórias presentes em cada criação.

Tecelagem que preserva histórias e identidades

O centro da programação é a exposição de uma coleção de peças de tecelagem tradicional produzidas pelas mulheres da Associação. Mais do que objetos artesanais, os trabalhos são apresentados como obras de autoria, resultado de técnicas e grafismos transmitidos, preservados e recriados entre diferentes gerações.

Um dos diferenciais da coleção está no registro individual de cada peça. As informações incluem o nome da mulher responsável pela criação, o tempo dedicado à tecelagem e o nome do kenê — grafismo tradicional — em hãtxa kuĩ e português. Dessa maneira, o público pode conhecer não apenas o trabalho final, mas também quem o produziu e a história que acompanha cada criação.

A proposta reforça a importância de reconhecer as mulheres como autoras e detentoras de conhecimentos tradicionais, valorizando suas trajetórias e o papel que desempenham na continuidade da cultura Huni Kuĩ.

Do plantio do algodão à continuidade do conhecimento

O encontro também apresenta um pouco do trabalho desenvolvido pela Associação em torno do projeto Aîbu Bai Shapu Yuxibu, dedicado ao caminho do algodão. Embora as peças da coleção exposta ainda não sejam produzidas com algodão natural, a iniciativa já está em desenvolvimento desde julho de 2025, quando as mulheres decidiram iniciar o plantio da fibra.

Na Aldeia Altamira Ni Yuxibu, a Associação estuda todas as etapas desse processo, do cultivo ao preparo do fio. O trabalho inclui a implantação de um sistema agroflorestal (SAF) de algodão, pensado para garantir que as próximas gerações também tenham acesso a esse conhecimento e possam dar continuidade à tradição da tecelagem.

A iniciativa demonstra que preservar uma cultura também significa criar condições para que seus saberes continuem vivos e se desenvolvam no futuro. Nesse contexto, o algodão representa não apenas uma matéria-prima, mas parte de um processo coletivo de autonomia, transmissão de conhecimentos e fortalecimento da identidade cultural.

Além da exposição, o encontro “Memória Viva — Isso não começa aqui” contará com a apresentação da revista que leva o nome do projeto, cantos tradicionais Huni Kuĩ, cinema, música e um momento de celebração e convivência com o público.

Foto Marcela Goellner

Serviço

Memória Viva — Isso não começa aqui

Data: sexta-feira, 13 de novembro de 2026.

Horário: a partir das 19h.

Local: Alfaiataria Espaço de Artes — Rua Riachuelo, 266, Centro, Curitiba (PR).

Convite: acesse aqui.

Instagram: @mulhereshunikuin.

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