Muito além do filme: como os cinemas tentam transformar sessões em experiências únicas

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Sete anos após a estreia de Vingadores: Ultimato, o retorno do filme às salas de cinema, em setembro, com a edição especial Vingadores: Ultimato Encore, exemplificou uma das estratégias adotadas pelo mercado para atrair o público. A nova versão acrescentou cerca de quatro minutos de material inédito e conteúdos relacionados a Vingadores: Doutor Destino, próximo filme da franquia. A iniciativa mostra como relançamentos podem ir além da nostalgia e transformar a volta de uma obra conhecida em uma experiência com novidades para os espectadores.

A estratégia também aparece quando o próprio formato de exibição passa a fazer parte do filme. É o caso de A Odisseia, de Christopher Nolan, rodado integralmente com câmeras IMAX 70 mm. No Brasil, a tecnologia está disponível em poucas salas, criando uma diferença entre simplesmente assistir ao longa e vê-lo no formato para o qual foi concebido.

A transformação da sessão em evento também aparece em lançamentos recentes. Na estreia de Moana, cinemas e shoppings apostaram em ações especiais e brindes. Poucos meses depois, Homem-Aranha: Um Novo Dia levou a estratégia ainda mais longe: a UCI criou um Fan Event com pôsteres, moeda e ticket colecionáveis, além de um presente para quem comparecesse de cosplay e um combo temático com copo do personagem. Ações como essas criam uma programação em torno da sessão e transformam a estreia em um momento coletivo.

A busca por uma experiência diferente, porém, não é recente. Durante os anos 2010, o 3D se tornou uma das principais apostas das salas, impulsionado pelo sucesso de Avatar, enquanto fabricantes de televisores também tentavam levar a tecnologia para dentro de casa. O formato perdeu espaço com o tempo: em 2025, apenas 2,6% dos filmes lançados no Brasil tiveram sessões em 3D, responsáveis por 9% da bilheteria, segundo o portal Filme B.

Sala IMAX – Shopping Palladium | Divulgação

Enquanto o 3D perde espaço, outras formas de imersão ganharam força. O IMAX aposta em telas maiores e sistemas de som e projeção específicos, enquanto o 4DX acrescenta movimento às poltronas e efeitos como vento, água e aromas. Formatos como o ScreenX também ampliam a imagem para as paredes laterais da sala. A ideia é criar uma experiência que não possa ser reproduzida da mesma forma em casa.

Para Valdinei Strapasson, gerente de programação da Cinesystem, essa diferenciação se tornou necessária diante das opções de entretenimento fora do cinema. Em entrevista à Folha de S.Paulo, ele afirma que os exibidores precisam mostrar que “a ida às salas é única” e que o espectador deve sentir que terá “uma experiência completa”. Strapasson cita telas maiores e sessões VIP, com poltronas reclináveis e garçons, entre as alternativas que têm ganhado espaço.

Essa busca também chegou ao próprio espaço da sala. Os cinemas passaram a investir em ambientes premium, com poltronas reclináveis, mais espaço entre os assentos, telas e sistemas de som diferenciados e, em alguns casos, serviço de alimentação durante a sessão. A proposta é transformar o conforto em parte do produto oferecido, e não apenas o filme.

A lógica aparece ainda em sessões especiais, como exibições de aniversário de filmes que já passaram pelos cinemas, transformando a volta de uma obra conhecida em uma ocasião diferente para o público.

A mudança não está apenas no que é exibido, mas na forma como o público é convidado a vivenciar o cinema. Conteúdos inéditos, eventos, tecnologias imersivas e salas premium passaram a fazer parte da estratégia dos exibidores para tornar a sessão mais atrativa. Com o avanço do streaming e a possibilidade de assistir a lançamentos em casa, a experiência dentro da sala ganha cada vez mais peso na decisão de ir ao cinema.

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