‘Duna: A Profecia’: Mais um acerto da HBO

Reprodução: HBO

Com o sucesso dos filmes de Duna dirigidos por Denis Villeneuve, a franquia de ficção científica tem se tornado uma das mais populares e comentadas desta década. Querendo aproveitar a crescente popularidade e expandir a saga, a HBO ficou encarregada de desenvolver uma série para streaming ambientada no universo de Duna. Apesar de empolgado com a ideia, existia um receio meu se a produção estaria a altura dos filmes de Villeneuve. Após assistir os 6 episódios de Duna: A Profecia, fiquei bastante satisfeito com a série, que é digna de carregar o nome de Duna.

Ambientada cerca de 10.000 anos antes do nascimento de Paul Atreides, em Duna: A Profecia nós acompanhamos a história de Valya e Tula Harkonnen, duas irmãs pertencentes à ordem matriarcal Bene Gesserit. Ao longo dos episódios, iremos conhecer mais da origem da Irmandade e sua ascensão perante o Imperium.

Se eu tivesse que resumir a série da forma mais breve possível, seria dizer que ela é basicamente Game of Thrones no espaço, e faço essa comparação por alguns motivos. Começando por aspectos técnicos, é visível que a HBO investiu bastante para tornar Duna: A Profecia uma super produção. Desde os figurinos, cenários, fotografia, música e efeitos especiais, todos apresentam grande esmero, elevando uma série de streaming a um nível cinematográfico de produção, além de estar bem alinhado com o estilo e atmosfera empregado nos filmes de Villeneuve, o que ajuda a criar um senso de coesão e de que estamos acompanhando uma história no mesmo universo.

Quanto a sua trama, a série também lembra bastante Game of Thrones ao mostrar uma história recheada de intrigas políticas e personagens complexos, constantemente tramando planos e conspirações para vencerem esse grande jogo de xadrez político. A série dá espaço para explorar as múltiplas facetas de cada personagem, suas personalidades, medos e ambições, o que os deixa bastante tridimensionais e realistas.

Valya (Reprodução: HBO)

As atuações também são ótimas. Emily Watson entrega em Valya uma mulher manipuladora, fria, ambiciosa e orgulhosa, que tem sempre segundas intenções com cada ação que toma. Já Olivia Williams oferece um contraponto interessante com Tula, que é a mais emotiva das duas irmãs. Mesmo com personalidades opostas, é bem bonito ver o espírito de união e irmandade entre as duas e como isso é abordado na série. Os mesmos elogios se estendem para Jessica Barden e Emma Canning, as atrizes responsáveis por interpretarem as versões jovens das personagens.

Entretanto, eu não poderia falar de atuação sem citar Travis Fimmel como Desmond Hart. Servindo como o principal antagonista da série, Fimmel rouba completamente a cena em todos os momentos que está em tela, ao nos apresentar um personagem manipulador, sádico e com grande presença. Suas interações com o imperador Javicco Corrino – vivido por Mark Strong – e com Valya são algumas das melhores de todas a série. Isso sem mencionar o verdadeiro show de atuação que o ator entrega no episódio 4.

Desmond (Reprodução: HBO)

Como fã dos livros e filmes de Duna, fiquei bem satisfeito ao ver que a série abordou outros aspectos que não são citados nos filmes ou devidamente explorados. Em A Profecia, vemos pela primeira vez em tela o Jihad Butleriano, uma guerra que proibiu qualquer uso de máquinas pensantes e como as ramificações afetam o Imperium. Na série, o planeta de Arrakis fica em segundo plano para as disputas políticas do Imperium e das Casa Maiores e como a ordem Bene Gesserit está inserida em cada uma das diferentes facções, manipulando a narrativa a favor da Irmandade.

Nos livros, as Bene Gesserit são descritas como mestres da percepção e manipulação, conseguindo perceber se uma pessoa está mentindo ou não pelo mais sutis dos sinais, seja pela dilatação das pupilas, aceleração do coração, tiques nervosos ou transpiração, e a forma como visualizaram estes elementos ficou bem bacana. O mesmo vale para o uso da Voz e da representação do teste da Agonia e como conseguiram transpor esses conceitos dos livros para as telas.

Além disso, a série apresenta pela primeira vez aos espectadores conceitos que serão bastante importantes para a trama de Messias de Duna, filme que está atualmente em desenvolvimento.

Reprodução: HBO

Quanto a problemas, não tem nenhum aspecto que pessoalmente tenha me incomodado. No entanto, sei que o ritmo um pouco mais lento de seriado pode não ser do agrado de todos. Além disso, alguns podem se decepcionar com o episódio final, já que diversos pontos narrativos são deixados em aberto para serem resolvidos na próxima temporada.

Mas no geral, Duna: A Profecia é uma ótima série e que merece ser assistida. Tendo um excelente valor de produção, uma trama complexa cheia de intrigas e reviravoltas, personagens complexos e ótimas atuações, esta é uma série que facilmente indicaria para qualquer pessoa que gosta de Duna, Game of Thrones e histórias de ficção-científica. Fico bastante empolgado para quais caminhos a história pode seguir na segunda temporada, que já foi confirmada pela HBO, e se seguir no mesmo nível desta primeira, podemos estar diante de um dos mais novos sucessos da produtora.

⭐⭐⭐⭐

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