Se antigamente ser rotulado como Nerd era motivo de piada e bullying nos corredores da escola, agora o cenário é outro. Todo mundo quer ser Nerd nos dias de hoje, ler mais, assistir mais filmes e séries e até jogar os famosos RPG de mesa. No Dia do Orgulho Nerd, hoje (25), as marcas mergulham nas tendências cinematográficas e literárias para chamar atenção de um mercado cada vez mais forte.
Historicamente o “geek” era associado a isolamento social e a obsessão por universos mágicos e infantilizados. Nas décadas de 80 e 90, o consumo desses conteúdos era um ato de resistência, como se nota em Stranger Things, por exemplo. O arquétipo era o do indivíduo deslocado das normas sociais convencionais.
Contudo, com o advento da tecnologia e dos streamings, essa realidade mudou. Em 2008, a Marvel se consolidou no mercado com o Universo Cinematográfico Marvel (MCU), modificando o modelo de storytelling transmídia, eliminando as barreiras de quem antes não conseguia ser incluído em uma cultura “geek”.
Quando a Disney comprou a Marvel e a Lucasfilm (Star Wars), acabou criando um movimento de institucionalização do formato de Universo Expandido e Compartilhado, forçando a indústria a seguir o mesmo modelo para reter a atenção do grande público. Essa transformação de produção contribuiu para esse movimento Nerd.
Com o passar do tempo e a chegada de outras culturas ao Brasil, como os animes asiáticos, o público também passou a ver desenhos com uma outra perspectiva. Fato este que fez a Disney investir em expansões de universos neste mesmo modelo, como em Star Wars.
Outro motor nessa jornada foi o investimento em Propriedades Intelectuais, como apontado pelo Folhetim na semana passada como principal motivo de produção de sequências em Hollywood (veja mais aqui). Esse movimento garante maior faturamento em cima de marcas já consolidadas no público, permitindo investimentos menores e consequentemente, maior retorno financeiro. Ao passo que possibilita expansões de universo.
As plataformas de streaming também tiveram sua contribuição para esse cenário global, proporcionando que filmes e séries com temáticas “nerd” pudessem ser consumidos por qualquer pessoa em qualquer momento, sem nem perceber que se tratava de um produto geek.
A força na economia
Em 2021, o mercado geek brasileiro foi responsável por R$21,5 bilhões com produtos licenciados. Globalmente o cenário é muito maior. As projeções indicam que até 2027 a indústria nerd deve ser responsável por US$41,3 bilhões, se consolidando como uma potencia financeira.
No universo dos games, o Brasil movimenta R$13 bilhões entre consoles, acessórios e jogos, representando sozinho 50% da receita de games em toda a América Latina, segundo os dados da Associação Brasileira de Licenciamento de Marcas e Personagens (ABRAL). Globalmente este nicho é avaliado em US$239,92 bilhões.

Com valores tão altos, o ser Nerd não é apenas uma onda cultural, mas de consolidação econômica. A partir do momento que o público não consome apenas os filmes, mas transitam entre literatura, games e jogos de tabuleiro, a percepção do mercado e, consequentemente, da sociedade, em cima do termo, muda bruscamente. Star Wars, por exemplo, que ganhou um novo filme esta semana, já passa de 12 longa-metragens, séries, animações, jogos de tabuleiro, acessórios, videogames e até mesmo área temática em parques da Walt Disney Resorts.
O perfil dos Nerds também vem mudando ao longo do tempo. Ao passo que antigamente o estereótipo era de crianças ou adolescentes introvertidas ou jovens tímidos, o cenário é outro. A maioria dos consumidores possui entre 22 e 39 anos, representando cerca de 55%. A Geração Z, nascidos entre 1995 e 2010, é um pilar que vem crescendo neste cenário.
Dados de 2024, baseado em pesquisas feitas pelo Omelete Company, apontam que 57% desse público são mulheres. Enquanto que 72,4% pertencem às classes B e C. Entre os gêneros, 52% preferem fantasias, 33% ficção científica e 29% aventuras. Desse montante, 33% consideram gostar mais de Animes, consolidando também a cultura asiática no cenário geek global.
Para os próximos anos, a estimativa é um investimento colossal da indústria neste mercado. A Warner Bros, proprietária da DC Comics, planeja novos universos para os personagens como Batman e Superman. A Disney entra em uma nova fase com os Vingadores e seus respectivos super heróis, além da expansão do universo de Star Wars. O streaming também mergulha nesta onda, com novas séries e adaptações literárias e de games, como Fallout (Prime Video), The Last of Us (Hbo Max), The Boys (Prime Video) entre outros títulos.
