Quem assiste a novela das 19h, ‘Coração Acelerado’, vê através da interpretação do ator Alexandre David os momentos bons e sensíveis do cozinheiro Cláudio junto ao núcleo principal da trama. O personagem contrasta com outro que ele interpretou há algum tempo, quando foi um chefe linha dura da polícia na época da ditadura militar no Brasil, na série ‘Rio Connection’. Tais extremos de atuações mostram um setor que tem como principais vertentes as possibilidades de repertórios dos artistas.
“O divertido da profissão de ator é isso, você fazer personagens distintos, opostos, diferentes de você mesmo”, retrata Alexandre David ao falar sobre o tema. “Foi muito rico fazer um vilão, um policial que trabalhava para a ditadura nos anos 70, sanguinário, corrupto, violento, numa série adulta e em inglês, foi outro desafio, já que toda a interpretação em “Rio Connection” era em inglês. E agora fazer o Cláudio, que é um alguém amoroso, um cara que escuta, com empatia, que está ali para dar atenção, carinho, tentando aconselhar no meio dos turbilhões de paixões do mocinho e da mocinha, um personagem muito bom de se fazer”, afirma.
Em ‘Rio Connection’, Alexandre se inspirou em um personagem real da história brasileira para fazer o vilão Detetive Batista. “Tinha um chefe de polícia conhecido da época, Sergio Fleury. Chamavam de Delegado Fleury. Ele atuou no Departamento de Ordem Política e Social de São Paulo durante a Ditadura Militar no Brasil. Era chamado de “Papa”, pois sempre se vestia de branco e as pessoas iam até ele para pedir favores. O livro “Autópsia do Medo”, de Percival de Souza, foi de grande utilidade por retratar a época e as práticas de interrogatórios utilizadas pela polícia à serviço da ditadura”, ressalta.

Particularmente, o ator diz ter uma preferência específica de atuação. “Prefiro os personagens voltados à comédia. Eu gosto muito de comédia, adoro ver e fazer, seja no teatro, na televisão ou cinema. Gosto do cômico, mas também é muito bacana fazer tipos sérios e dramáticos. Ainda assim, acho que o riso é mágico, realmente uma energia que limpa a alma, algo dos deuses mesmo se assim posso dizer! Eu gosto muito de rir e de fazer rir. Inclusive, nas pausas das gravações de ‘Coração Acelerado’, estou fazendo um curso de palhaçaria. É muito difícil, mas está muito bacana e é libertador”, conta.
Na novela, ele faz parte do núcleo principal – na mansão – e também no rancho. Desse núcleo, Cláudio acaba se envolvendo em muitas cenas com humor; algo que o ator gosta de fazer, além de fazer uma ponte, em alguns momentos, da relação entre Walmir (Antonio Calloni) e o filho, o protagonista João Raul (Filipe Bragança).
“Ele troca muitas informações sobre o Walmir com o João Raul, observando e tomando conta do que está acontecendo na casa. Ele funciona como amparo ali, avisa para um e para outro sobre os últimos acontecimentos. Às vezes se atrapalha, tem algumas situações engraçadas, fico muito animado, pois posso mostrar mais da minha veia humorística. Ele se atrapalha, mas sempre com o intuito de ajudar no bem-estar da casa e no caso de amor de João Raul e da Agrado”, comenta Alexandre.
Responsável pelas refeições na mansão de João Raul, o artista não tem na vida real as mesmas habilidades de Cláudio. “Não sou muito bom cozinheiro, sei fazer uma boa omelete, mais ou menos um arroz, uma saladinha, mas não sei cozinhar direito (rs)”. Até por isso, o ator contou que a preparação para o personagem foi o desafio mais difícil da carreira. “Com certeza foi o maior. O desafio da cozinha foi grande, de saber usar os utensílios, saber como é que funcionam, como se portar numa cozinha e até ao servir a mesa também. Poder trazer isso para dentro do universo do personagem foi muito bacana”, revela.

Para dar vida ao cozinheiro da novela da autora Izabel de Oliveira, ele se preparou em um restaurante próximo a sua casa. “Vi muitos vídeos e marquei um laboratório em um restaurante aqui perto de casa para poder atender e ver como funciona a cozinha”. Além disso, o ator conta que usou referências de outras pessoas da sua vida.
“Para fazer o Cláudio, eu fiz um misto na minha cabeça: lembrei da minha avó que cozinhava, de uma tia-avó também, irmã da minha avó, que era muito engraçada, gente boa demais. A gente fazia almoços aos domingos na casa dela, ela era uma pessoa muito divertida e acolhedora, recebia a gente e fazia a comida com muito gosto. Também tive como referências pessoas que passaram pela minha vida, que têm a comida como doação de afeto, como ‘contato’ de afeto. Gosto muito do Chef francês Troisgros, acho ele divertido, simpático, recebe os convidados com tanto carinho, tem tanto amor pelo Brasil, pela comida brasileira”, diz.
Alexandre também aborda a relação do Brasil com a comida, a memória que a culinária remete a cada local e às relações familiares.
“Sempre assisto a programas de culinária para entender como a comida está ligada às raízes mais profundas de um país, de uma região. É muito afeto misturado com a essência da comida brasileira. Na questão da vida mesmo, a comida é o que mantém a gente vivo, porém além disso é o que mostra a história de cada região, de cada local, de cada família. Tem as receitas de família, os livros de família que passam de geração em geração e isso é muito bonito. Uma história, um jeito antigo de fazer comida que vai passando de avô para neto, para filho, e a história vai se perpetuando ali através da comida. Realmente é um laço de afeto muito potente”, comenta.
Além da cozinha, outro ponto a ser aprendido para a novela foi a questão do sotaque, dito pelo ator como a segunda dificuldade. “Outro desafio grande foi o do sotaque, de fazer na medida certa, com respeito ao povo goiano, não fazer caricato. É um sotaque que lembra o mineiro, então isso foi um trabalho onde tivemos um longo treinamento com uma preparadora de prosódia da Globo. Foi muito divertido descobrir mais detalhes e informações sobre a região. Esses dois, especificamente, foram pontos que tive que trabalhar bastante”, pontua.
Ao fazer 40 anos de atuação em 2026, Alexandre aborda os principais aprendizados que teve durante a trajetória. Para ele, o mais importante é estar a “serviço de uma obra”, independentemente de ser em teatro ou na TV. “A obra é maior do que eu; eu sou uma parte. Tenho que ter muita disciplina, trabalhar duro, mas também contar com a sorte de ser escolhido, de meu projeto ser escolhido, de conseguir fazer uma equipe bacana”, explica.
Além disso, outro ponto importante foi aproveitar cada oportunidade, mesmo que em situações difíceis. O artista cita como exemplo o próprio cozinheiro Cláudio, em que ele diz precisar estar pronto 100% por não ser uma figura frequente na trama.
“O difícil de fazer um personagem pontual – que não aparece o tempo todo – é você realmente ter uma ligação na cabeça de onde ele veio, pra onde vai, e de fazer cada cena com a maior precisão possível, com intensidade, estar concentrado. É o que tenho tentado fazer. Às vezes, um personagem que não é tão ‘grande’ é mais difícil de fazer porque você não tem aquela linha de ações desde o começo até o final da história. Então na maioria das vezes cada cena tem que ser a primeira e a última, porque a próxima talvez não tenha relação com a anterior, o que te obriga a estar 100% em cena. Ao mesmo tempo, é muito instigante porque você tem que entrar em cena com muita força, com muita energia e eu tenho tentado fazer isso”, comenta o ator.
Alexandre também destaca o trabalho junto a autora Izabel de Oliveira – esse é o seu quarto trabalho com ela – e a alegria de fazer essa novela.
“É sempre bom fazer um trabalho com a estrutura que tem a Globo, com um elenco que a gente pode trocar e aprender com pessoas experientes. É bom fazer televisão, você vai intercalando, fazendo uma peça, uma novela ou série, isso é importante na nossa carreira. Sou agradecido à Izabel de Oliveira, essa é a quarta novela dela que eu faço: “Cheias de Charme”, “Geração Brasil”, “Verão 90” e agora “Coração Acelerado”, também ao Carlos Araújo, diretor geral e à Daniela Pereira, produtora de elenco”, comenta.
Após a novela, o ator pretende voltar aos palcos no segundo semestre de 2026.
“Pretendo voltar aos palcos em um espetáculo com dois amigos, o Cláudio Mendes, que também está no elenco de “Coração Acelerado”, onde faz o Agenor e o Augusto Madeira que faz o Rivaldo na novela das 21h, “Três Graças”. É uma peça que a gente fez há muitos anos, gostamos muito do texto e queremos voltar a fazer. Uma possibilidade é de começar com uma temporada em São Paulo, então devemos começar a ensaiar ainda no primeiro semestre. O espetáculo chama-se “Pequenos Trabalhos para Velhos Palhaços”, de Matéi Visniec, com direção do André Paes Leme”, finaliza.
Instagram oficial https://www.instagram.com/alexandredavidator/
Via Assessoria de Imprensa
