Da Magia à Sedução: Feitiço de Amor é uma história leve, mas não aproveita a magia e o potencial da nova geração de bruxas

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Hollywood encontrou nos últimos anos uma fórmula bastante comum: resgatar filmes dos anos 90 e 2000 e produzir continuações décadas depois, misturando personagens conhecidos com uma nova geração. Vimos isso em filmes como O Diabo Veste Prada, Truque de Mestre e Top Gun: Maverick, que tentam apresentar novos personagens sem deixar de lado aqueles que fizeram parte da história original.

Feitiço do Amor segue essa mesma tendência, mas acaba aproveitando pouco a ideia de passar o bastão. O filme apresenta Kylie e Antonia, filhas de Sally, como a nova geração de bruxas, mas mantém Sally e Gillian como as verdadeiras protagonistas. E o mais curioso é que, mesmo sendo uma história que fala tanto sobre irmandade, as duas novas irmãs passam praticamente o filme inteiro separadas, o que deixa pouco espaço para desenvolver a relação entre elas.

Isso é ainda mais perceptível quando lembramos do primeiro filme. Sally e Gillian também eram muito diferentes, mas suas experiências ajudavam a construir essa relação: enquanto Gillian se envolvia com um homem abusivo, Sally encontrava alguém que realmente a amava. A continuação poderia fazer algo parecido com Kylie e Antonia, mostrando duas jovens bruxas com personalidades e experiências diferentes e como elas lidariam com um mundo diferente daquele em que suas mães cresceram. Em vez disso, pouco vemos sobre a relação entre as duas, seus poderes ou o que significa ser uma bruxa Owens nessa nova geração.

Outro ponto curioso está na própria maldição da família Owens. No final do primeiro filme, a história dá a entender que a maldição havia sido quebrada depois que Sally, Gillian e as outras mulheres conseguem derrotá-la. Já em Feitiço do Amor, descobrimos que ela ainda existe e não apenas continua afetando a família, mas também se torna o principal conflito da história.

Com direção de Susanne Bier e roteiro de Akiva Goldsman, Georgia Pritchett e Kelly Marcel, Feitiço do Amor acompanha as irmãs Sally e Gillian Owens (Sandra Bullock e Nicole Kidman), 25 anos após os acontecimentos do primeiro filme. Quando Kylie Owens (Joey King) descobre que a antiga maldição da família ainda existe e coloca a vida de seu namorado em risco, ela parte em busca de uma maneira de quebrá-la de uma vez por todas. Enquanto Kylie tenta resolver o problema por conta própria, Sally e Gillian precisam encontrá-la e salvá-la antes que seja tarde demais.

O começo do filme é bastante envolvente e consegue criar uma atmosfera mágica que prende a atenção, apresentando novamente aquele universo de bruxas de uma forma bastante convidativa. Porém, conforme a história avança, esse encanto vai perdendo espaço. O filme acaba ficando longo demais para a história que pretende contar e existe uma ausência da própria magia e da fantasia, que poderiam ocupar um espaço muito maior. Assim, Feitiço do Amor acaba focando muito mais no relacionamento das duas irmãs e em situações cotidianas do que na parte mágica, que poderia render momentos muito mais marcantes.

O filme também tem um clima e um humor bem Sessão da Tarde. Algumas cenas conseguem arrancar um sorriso justamente por esse tom mais leve e familiar e, mesmo com o ritmo lento, existe sempre alguma coisa acontecendo que consegue manter sua atenção. Mas o maior problema continua sendo o pouco aproveitamento da nova geração. Kylie e Antonia tinham potencial para formar uma dupla interessante e ter uma dinâmica própria, mas o filme mantém as duas separadas durante boa parte da história e acaba não desenvolvendo a relação das irmãs como poderia. No fim, Feitiço do Amor é um filme agradável, mas que deixa a sensação de que poderia ter aproveitado muito mais o seu universo mágico e, principalmente, a nova geração de bruxas.

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