Artista radicada em Curitiba vence o “Oscar” da ilustração botânica mundial

A ilustradora botânica Diana Carneiro, radicada em Curitiba desde 1966, acaba de conquistar um dos maiores reconhecimentos internacionais das ciências naturais. A artista foi anunciada como vencedora do Jill Smythies Award de 2026, concedido pela histórica Linnean Society of London.

Considerado por muitos profissionais como o “Oscar” da ilustração em ciências naturais, o prêmio reconhece contribuições excepcionais para a botânica através de ilustrações científicas publicadas. A cerimônia de entrega acontece em Londres, no dia 21 de maio.

Com um portfólio de cerca de 400 pranchas botânicas produzidas ao longo da carreira, Diana se consolidou como uma das principais referências brasileiras na área. Formada em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), ela destaca que a ilustração científica vai muito além do valor estético. “Trabalhar para ciência é outra história”, afirma a artista, ao defender a importância do desenho como ferramenta de comunicação e democratização do conhecimento científico.

Criado em 1988, durante as comemorações do bicentenário da Linnean Society, o Jill Smythies Award homenageia profissionais que auxiliam na identificação e documentação de espécies vegetais através da arte científica. Além de uma medalha gravada com o nome da vencedora, a honraria inclui um prêmio em dinheiro de mil libras esterlinas.

A conquista também marca um momento importante para o Brasil: Diana é apenas a segunda brasileira a receber o reconhecimento, sucedendo Maria Alice de Rezende, premiada em 2024.

O olhar detalhista que define sua obra, segundo a própria artista, tem origem na convivência com a mãe, costureira e bordadeira que observava cuidadosamente as formas e imperfeições da natureza. “A flor cai, a flor murcha, o vento bate”, relembra Diana sobre os ensinamentos recebidos ainda na infância.

Além da produção artística, a ilustradora também construiu uma trajetória ligada à educação e à formação de novos profissionais. Ex-professora da rede estadual por 25 anos, ela ajudou a fundar o Centro de Ilustração Botânica do Paraná em 2000 e lançou o livro Ilustração Botânica: Princípios e Métodos, publicado pela editora da UFPR.

Sua relação com a ciência e a flora brasileira ganhou ainda uma homenagem simbólica: uma espécie da Mata Atlântica foi batizada em sua homenagem. A planta, chamada Miconia dianae, eterniza sua contribuição para a botânica e para a divulgação científica através da arte.

A premiação internacional reforça não apenas o reconhecimento da carreira de Diana Carneiro, mas também a presença da produção artística e científica brasileira em um cenário global cada vez mais atento às conexões entre arte, natureza e preservação.

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