A escritora fluminense Alice Puterman lança, no final de julho, seu livro de estreia, Candura (Editora Toma Aí Um Poema), durante a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip 2026). A obra, que terá sessão de lançamento na Casa Gueto, é o resultado de seis anos de escrita dedicados à elaboração do trauma de um estupro coletivo sofrido pela autora aos 17 anos. Diagnosticada com Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT), Alice utiliza a poesia como estratégia de sobrevivência e denúncia em um país com índices crescentes de violência sexual.
Escrito majoritariamente durante o isolamento da pandemia, o livro explora o corpo feminino como um território violado, mas resistente. Alice utiliza a metáfora da “casa” para descrever o processo de habitar a própria pele após a invasão. Em seus versos, a autora expõe a dor bruta, sem abrir mão de uma delicadeza que desafia a lógica da violência.
O título da obra ressignifica o conceito de “candura”, frequentemente associado à passividade feminina. Para Alice — que é uma mulher autista —, a característica não é uma fraqueza, mas o que a mantém de pé após sucessivos golpes. Além da violência sexual, o livro aborda abertamente temas de saúde mental, incluindo, eletrochoques, tentativas de suicídios e o processo de aceitação.
Sobre a autora
Natural de Petrópolis (RJ) e nascida em 2002, Alice Monteiro Puterman é graduanda em Pedagogia e especialista em inclusão. Autista com histórico de mutismo seletivo na infância, encontrou na escrita, aos três anos de idade, sua principal forma de expressão. Atualmente residindo na capital fluminense, a autora afirma que o lançamento de Candura encerra um ciclo de medo, posicionando-a não mais como vítima, mas como sobrevivente. Um novo projeto de poesias já está em fase de preparação.
FICHA TÉCNICA
Título: Candura: uma história de sobrevivência feminina
Autora: Alice Puterman
Gênero: Poesia
Editora: TAUP (Toma Aí Um Poema)
Ano de publicação: 2025
Número de páginas: 94
Disponível para vendas aqui.
Via Assessoria de Imprensa
