Morte e Vida Madalena é uma homenagem ao ato de fazer cinema independente

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O cinema tem uma longa tradição de produzir filmes sobre o próprio ato de fazer cinema. Entre eles, muitos são ambientados nos bastidores de um set de filmagem. Desde o clássico A Noite Americana (1973), de Truffaut, até a comédia nacional Saneamento Básico (2007), de Jorge Furtado, os cineastas utilizam este cenário para, entre outras coisas, evidenciar seu afeto pela sétima arte. É o caso de Morte e Vida Madalena, novo filme do diretor Guto Parente.

Acompanhamos a produtora de cinema Madalena, vivida por Noá Bonoba, em um momento de muitas emoções: grávida, precisa encarar a morte de seu pai e, para homenageá-lo, decide que seu próximo filme será de um roteiro dele. Durante os 85 minutos do longa vemos a personagem lidar com o caos emocional enquanto é responsável por gerenciar os desafios que surgem nas filmagens. Tudo isso com as dificuldades financeiras de uma produção independente.

Noá Bonoba | Foto Divulgação/Embaúba Filmes

Desafios estes muito ligados à equipe bastante disfuncional. Se Madalena passa por um momento agitado, seu parceiro de longa data e diretor do filme, Davi (Marcus Curvelo), tem sérios problemas de compromisso. Já Oswaldo (Tavinho Teixeira), um dos atores do elenco, carrega um temperamento instável, sendo frequentemente motivo de problemas no set. Até Natasha (Nataly Rocha), assistente de direção competente, precisa lidar com momentos de turbulência na vida pessoal. 

O filme encontra sua maior força no humor, que aparece tanto no caos da produção quanto na natureza excêntrica dos personagens, incluindo aqueles com pouquíssimo tempo de tela (o policial com “pinta de artista”, por exemplo, é responsável por algumas das cenas mais divertidas do longa). Em alguns momentos, a direção aposta em tons de drama e até de terror, com direito à flashbacks e uma sequência de sonho – ou melhor, nesse caso, de pesadelo. 

Morte e Vida Madalena segue um propósito parecido aos outros filmes sobre cinema: serve como uma grande homenagem a esta forma de arte.  O diferencial aqui é que os perrengues da vida de artista estão no centro da narrativa. Problemas e trabalho demais, dinheiro de menos. E talvez seja por isso que lembrar os motivos de seguir este caminho seja, neste contexto, essencial.

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