Envelhecer com cultura: como projetos artísticos estão promovendo qualidade de vida para pessoas 60+

Levar uma vida ligada à cultura traz benefícios fundamentais para qualquer pessoa, seja no âmbito social, intelectual ou psicológico. Mas quando falamos de pessoas 60+, o tema da participação cultural se torna ainda mais essencial, ajudando a trazer autonomia e bem estar durante o envelhecimento.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) destaca o termo envelhecimento saudável, o definindo como “o processo de desenvolver e manter a capacidade funcional que permite o bem-estar na terceira idade”. O termo foi criado em 2015 para ampliar os debates sobre o que chamavam antes de envelhecimento ativo. 

O período de 2021 a 2030 é considerado pela Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU) como a Década das Nações Unidas do Envelhecimento Saudável, em resposta ao envelhecimento populacional crescente e reúne uma série de ações coletivas com o intuito de melhorar a vida das pessoas idosas.

Estes conceitos estão diretamente ligados à ideia de que um envelhecimento saudável não requer apenas saúde física, mas também uma estrutura que dê ao indivíduo uma vivência que considere valiosa. É nesse contexto que as experiências culturais, principalmente em grupo, se tornam particularmente importantes.

Além disso, enquanto o Brasil se torna um país com uma média de idade cada vez maior, os índices de participação cultural de pessoas 60+ podem servir de alerta. A pesquisa Cultura nas Capitais, de 2024, mostrou que 45% dos idosos entrevistados nunca foram a um museu, enquanto 47% não tinham visitado um teatro. Foram 19.500 entrevistados, com idosos sendo 20% desse total.

O direito à cultura é garantido no Brasil pelo Estatuto da Pessoa Idosa, onde também é ressaltado o papel de “preservação da memória e da identidade culturais” dos mais velhos. A Lei nº 8.842/1994, que criou o cria o Conselho Nacional do Idoso, também traz a garantia da participação do idoso em eventos culturais como um dever das entidades públicas.

Rejuvenescer na terceira idade: as  iniciativas para o envelhecimento com cultura

Com o entendimento da importância da cultura para as pessoas mais velhas, diversos órgãos e instituições têm promovido atividades voltadas para este público. Em Curitiba, o Museu Oscar Niemeyer (MON) mantém há mais de dez anos o programa “Arte Para Maiores”, que oferece atividades de experiência artística e dinâmicas de integração. O programa recebeu o Prêmio Darcy Ribeiro em 2019, um dos mais importantes na área da educação museal.

Neste mesmo sentido, a Universidade Federal do Paraná (UFPR) inaugurou, em dezembro de 2024, o espaço ConVIVER 60+, pensado para integrar as pessoas idosas e combater o isolamento social – fenômeno que afeta uma quantidade relevante de pessoas mais velhas – , utilizando ferramentas como as práticas artísticas e a musicoterapia. O Departamento de Educação Física da UFPR já havia criado o “EnvelheSendo” em 2016, que promove a socialização, capacidade funcional e saúde cognitiva da população idosa.

Já em São Paulo, o programa Faça Memórias usa a Arteterapia e Arte Reabilitação para exercitar o pensamento e oferecer estímulos cognitivos aos idosos. A história pessoal dos participantes e a coletividade são centrais no projeto. O projeto foi criado em 2009 pela arteterapeuta Cristiane Tenani Pomeranz e já atingiu mais de mil pessoas de forma presencial e remota. 

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