Mais de um século após a Guerra de Canudos (1896-1897), um dos episódios mais marcantes da história brasileira, o espetáculo “Restinga de Canudos”, da Cia. do Tijolo, chega ao Rio de Janeiro para uma temporada na Arena do Sesc Copacabana. Vencedora do Prêmio APCA de Melhor Direção com a montagem, a companhia propõe uma releitura do conflito baiano que se afasta da narrativa oficial para lançar luz sobre aqueles que raramente protagonizam os relatos históricos. A temporada acontece de 20 de agosto a 13 de setembro, com apresentações às quintas e sextas, às 20h, e aos sábados e domingos, às 18h.
A História Submersa e a Reescrita do Passado
A montagem parte da imagem das ruínas da antiga Canudos, hoje submersas pelas águas do açude de Cocorobó, para reconstruir a memória de uma comunidade que existiu antes de sua destruição pelas forças da recém-instalada República. Para além da trajetória de Antônio Conselheiro, dos combates e do massacre, “Restinga de Canudos” mergulha no cotidiano dos moradores de Belo Monte e recupera histórias de resistência de personagens anônimos. É uma Canudos construída pela coletividade e pela invenção de formas próprias de existência.
Dinho Lima Flor, diretor geral do espetáculo, assina a dramaturgia ao lado de Rodrigo Mercadante. Os dois integram a equipe de criação junto a Karen Menatti, integrante fundadora do núcleo de criação artística da Cia. do Tijolo. A partir dessa perspectiva, a montagem desloca o foco do episódio histórico para as pessoas que fizeram daquela comunidade um lugar de vida, organização e resistência.
As Vozes de Belo Monte e o Eco no Presente
No palco, o público é conduzido por vozes de professoras, agricultores, indígenas, beatos, cantadores e poetas populares. Duas professoras conduzem a narrativa e simbolizam o papel da educação na formação da consciência crítica, costurando as histórias dos diferentes moradores da comunidade. Ao aproximar passado e presente, a encenação estabelece diálogos com questões que continuam atravessando a sociedade brasileira, como a violência de Estado, a desigualdade social e a luta por direitos. A Cia. do Tijolo recria, para além da visão de Euclides da Cunha, uma comunidade forte, próspera e vitoriosa.
A encenação articula teatro, música executada ao vivo e elementos da cultura popular brasileira, com atores, músicos e compositores de diferentes regiões do país. As composições originais de Jonathan Silva integram a dramaturgia e ajudam a construir a dimensão musical do espetáculo. Como define o diretor Dinho Lima Flor: “É essa memória coletiva que ainda pode inspirar esperança e resistência no presente”.
Participam da montagem no Rio de Janeiro, além dos criadores Dinho Lima Flor, Rodrigo Mercadante e Karen Menatti, os artistas Odília Nunes, Artur Mattar, Jaque da Silva, Danilo Nonato, João Bertolai, Marcos Coin, Dicinho Areias, Jonathan Silva, Juh Vieira, Vanessa Petroncari, Leandro Goulart e Lakis Farias.
Sinopse
A Cia do Tijolo enxerga as ruínas de Canudos, cidade submersa, e mergulha nas águas do açude de Cocorobó em busca das histórias de suas gentes. Para além da visão de Euclides da Cunha e da narrativa do massacre, o espetáculo recria, a partir dos olhos de duas professoras, uma comunidade viva, forte, próspera e vitoriosa na invenção de formas próprias de existência. Restinga de Canudos traz professoras, beatos fazendo reza, guerra e festa numa Canudos recriada para o tempo presente.

Sobre a Cia. do Tijolo
Desde 2008, a Cia. do Tijolo constrói um repertório que articula teatro, música e poesia para revisitar personagens e episódios da história brasileira. O grupo recebeu o Prêmio Shell de Música e o Prêmio da Cooperativa Paulista de Teatro por Concerto de Ispinho e Fulô (2010) e Cantata para um Bastidor de Utopias (2014), que também conquistou o Prêmio Shell de Melhor Cenário e foi indicado ao Prêmio Governador do Estado. O Avesso do Claustro (2016) também concorreu ao Prêmio Governador do Estado. Com Restinga de Canudos (2025), a companhia recebeu o Prêmio APCA de Melhor Direção. O grupo desenvolve uma pesquisa inspirada na cultura popular brasileira e no pensamento de Paulo Freire. O nome da companhia faz referência à palavra geradora utilizada pelo educador em seus processos de alfabetização de trabalhadores da construção civil. Desde 2017, a Cia. do Tijolo mantém ainda o Núcleo Musical da Cia. do Tijolo, dedicado à pesquisa das relações entre sonoridade e dramaturgia.
Ficha Técnica
Criação e dramaturgia: Dinho Lima Flor e Rodrigo Mercadante
Direção geral: Dinho Lima Flor
Elenco: Dinho Lima Flor, Rodrigo Mercadante, Karen Menatti, Odília Nunes, Artur Mattar, Jaque da Silva, Danilo Nonato, João Bertolai, Marcos Coin, Dicinho Areias, Jonathan Silva, Juh Vieira, Vanessa Petroncari, Leandro Goulart, Lakis Farias
Movimento e corpo: Viviane Ferreira
Composições originais: Jonathan Silva
Direção musical: Cia do Tijolo e William Guedes
Desenhos: Artur Mattar
Cenário: Cia do Tijolo e Douglas Vendramini
Assistência de cenotécnica: Tati Garcez e Gonzalo Michel
Figurino: Cia do Tijolo e Silvana Marcondes
Iluminação: Cia do Tijolo e Rafael Araújo
Som: Hugo Bispo
Fotos: Alécio Cézar
Design gráfico: Fábio Viana
Produção: Garcez Produções
Direção de produção e produção executiva: Suelen Garcez
Assistência de produção e contrarregra: Tati Garcez
Assessoria de imprensa Rio de Janeiro: Lyvia Rodrigues / Aquela Que Divulga

Serviço
Restinga de Canudos
Temporada: 20 de agosto a 13 de setembro de 2026
Dias: quinta a domingo
Horários: quintas e sextas, às 20h; sábados e domingos, às 18h
Local: Arena do Sesc Copacabana
Endereço: Rua Domingos Ferreira, 160 – Copacabana – Rio de Janeiro
Ingressos: R$ 40 (inteira); R$ 36 (conveniados); R$ 31 (conveniados empresário); R$ 28 (credencial plena Sesc); R$ 20 (meia-entrada); gratuito para público PCG.
Informações: (21) 3180-5226
Bilheteria: terça a sexta, das 9h às 20h; sábados, domingos e feriados, das 13h às 19h.
Classificação indicativa: 12 anos.
