Ontem (08), Curitiba recebeu a 3º edição do Festival Paulo Leminski, que contou com grandes nomes da música brasileira e da poesia, como Fernanda Abreu, Davi Moreira, Tulipa Ruiz, Leminskanções e muito mais. O palco da pedreira Paulo Leminski celebrou o legado de um dos maiores artistas do Paraná.
Nesta edição, além do palco Perhappiness – palavra criada por Leminski, que mistura o termo ‘Talvez’ e ‘Felicidade’ do inglês – o evento também contou com espaço dedicado ao artista, com fotos de momentos de suas composições artísticas. Também uma feira de livro e de roupas.
Embora em um tamanho menor do que ano passado, principalmente com a praça de alimentação e espaço kids, o evento mobilizou um público diversificado que se conectou com cada momento especial.
Tulipa Ruiz e a influência de Leminski
“Temos essa influência, com certeza. Somos filhos de Luiz Chagas, que era guitarrista do Itamara Assunção e fez muita coisa com o Leminski. Então, crescemos vendo esses grandes músicos compondo. E quando começamos a ver essas experimentações, já tínhamos eles no nosso coração e repertório. Eu acho que o palco é um lugar de experimentação, de linguagem o tempo todo e cada show é diferente do outro”, contou a artista ao Folhetim Cultural, sob sua relação com o grande anfitrião do evento.
A cantora subiu ao palco e tocou sucessos da carreira com performances que fizeram o público vivenciar uma poesia mais potente. (Confira trecho abaixo)
Davi Moraes e Armadinho em um duelo poético
Davi Moraes convidou Armandinho Macedo para um duelo que mostrou aos curitibanos o que a cultura brasileira é capaz de fazer em um ring como o palco de Leminski. Um show que não apenas evidenciou as raízes da arte poética.
Moreira comentou em como considera um presente ter crescido vendo seu pai ao lado dos amigos poetas, como Paulo Leminski. (Confira trecho da entrevista)
Estrela Leminski e o legado do pai
A artista Estrela Leminski não apenas transformou as poesias e canções do pai em uma reverência impecável no palco, como mergulhou em uma metamorfose artística arrepiante, como se o próprio Leminski estivesse presente, ao seu lado.
Em entrevista ao Folhetim, Estrela contou sobre a transformação que a obra de seu pai passa com a nova geração de artistas. “Uma das coisas que acho mais interessante na obra do meu pai é que todos os jovens se apaixonam por ele. É quase uma porta de entrada para poesias mais pesada. É importante para nós, enquanto curadoras, sempre trazer artistas locais, novas gerações, colocar crianças participando do Festival. Essa é a história da nossa vida”, contou.
“Em um mundo muito rápido, esse disco também foi pensando nessa maneira analogia. Meu pai não conheceu a internet, o computador, e tem uma riqueza muito grande nesse contato, na não virtualidade, do contato verdadeiro. E nisso você precisa estar em contato com a poesia em seu estado puro. Uma criança que pode não entender a poesia naquele momento, mas que pensa ‘isso é muito legal. Isso é poesia? Acho que eu gosto de poesia’, isso – pra mim – é o que vale a pena fazer o Festival Paulo Leminski”, completou ela.
Confira trecho da entrevista:
Rio de Janeiro dos anos 90 passa pela Pedreira
Fernanda Abreu, subiu ao palco por voltas as 23h15, em um show que arrebatou uma noite chuvosa e fria. Ao som de “Garota Sangue Bom” e dos sucessos da década de 90, presentes no álbum aniversariante, “Da Lata”, Curitiba vivenciou o pedacinho do Rio de Janeiro daquela época.
Ao Folhetim, Fernanda refletiu que o álbum, mesmo 30 anos depois, continua atual e relevante para a sociedade brasileira. “Eu percebi que era um disco que não estava datado. Percebi que eu poderia trazer essas músicas de novo para viajar o Brasil. Acredito que o mais símbolo é que um disco que fala de um Brasil desigual, mas com a capacidade de se reinventar, e por isso falo da lata. É um material que não é prata, ouro, mas que o brasileiro consegue viver, mesmo com as adversidades, estamos criativamente tentando sobreviver e viver”
Confira trecho da entrevista:
O Festival Paulo Leminski consagra-se como um evento mais do que relevante para a cultura brasileira e curitibana. Um marco de uma sociedade que não pode se calar e onde a criatividade e arte, devem sempre perpassar pelas infinitas realidades.
