Após assistir “Sobre Café e Cigarros” é evidente que esse filme só foi feito pelo divertimento do diretor e atores envolvidos nesse projeto.
Jim Jarmusch um dos diretores americanos independentes mais reconhecido na história do cinema, recentemente premiado em Veneza por “Pai Mãe Irmão Irmã” lançou este que abordo hoje. Uma seleção de onze curtas-metragens, todos em preto e branco, com a justificativa de uma conversa de bar, na verdade, uma conversa de café acompanhado dos cigarros.
Existe, nesses filmes, uma série de elementos em comum, somados aos artistas — alguns deles chegam até a surpreender, como a presença da banda The White Stripes —, além da admiração de Jarmusch ao escalar atores de peso para desafiar universos distintos por meio da encarnação de personagens variados. Ou seja, cada curta aqui constrói um universo próprio, todos hiperestilizados e descolados: alguns extremamente engraçados, outros baseados em conversas cotidianas.
É preciso que haja um fio condutor, e todos os episódios se conectam pelos cafés e cigarros. Nessas histórias, é possível identificar uma espécie de “iceberg” na profundidade dos temas abordados — inclusive nas piadas, que muitas vezes só funcionam a partir dos títulos que aparecem antes das cenas, como na recorrente obsessão pela figura do “primo”: aquele que não chega a ser um irmão, mas ainda carrega um laço de sangue.
De certa forma, cada curta parece ter sido pensado especificamente para seus atores e seus respectivos backgrounds. No fim, o filme se traduz em uma grande demonstração de empatia do diretor com seus colegas de atuação, com histórias construídas a partir deles. Apesar de não ser creditado dessa forma, é uma obra que carrega muitas mãos em seu processo de roteiro.
Seria esse exercício o ápice do minimalismo cinematográfico? Acredito que não, até porque temos Robert Bresson para representar esse título.
