Na noite de 7 de abril de 2026, o Teatro Paiol recebeu a estreia de Visita a Domicílio, uma coprodução internacional Brasil–Argentina que integra a programação do Festival de Teatro de Curitiba. Com idealização de Juan Tellategui, texto de Alberto Romero e tradução e adaptação assinadas por Juan Tellategui e Miguel Arcanjo, o espetáculo aposta na intimidade do encontro humano para construir uma narrativa envolvente, divertida e emocionalmente honesta.

Sob direção artística e de produção de Zé Guilherme Bueno e Miguel Arcanjo Prado, a peça acompanha Gabo e Fernando, personagens que viveram um relacionamento secreto durante a adolescência e que, por uma coincidência (ou não) do destino, se reencontram 25 anos depois em Buenos Aires. O reencontro acontece quando Gabo solicita atendimento médico domiciliar, e logo quando o médico chega, o mesmo descobre que o médico enviado é justamente Fernando, seu antigo amor.
Interpretados por Juan Tellategui (Argentina) e Cícero de Andrade (Brasil), os personagens conduzem o público por um jogo de memórias, revelações e ressentimentos acumulados ao longo de décadas. Aos poucos, o espectador descobre os caminhos que cada um percorreu durante os anos de afastamento, assim como as marcas deixadas pelo término abrupto do relacionamento, marcado pelo desaparecimento repentino de Fernando, sem explicações ou despedidas.
A dramaturgia constrói o conflito a partir de diferentes perspectivas, permitindo que ambos os personagens apresentem suas versões dos acontecimentos. O texto equilibra emoção e humor com naturalidade, transformando tensões do passado em diálogos ágeis e cheios de ironia.

Com duração aproximada de 60 minutos e classificação indicativa de 18 anos, Visita a Domicílio conquista pela dinâmica cênica e pela forte química entre os atores. A encenação aproxima o público da ação, criando a sensação de intimidade típica de uma sitcom teatral, super leve, contagiante e capaz de fazer o tempo passar quase sem ser percebido.
A estreia contou com o Teatro Paiol lotado, confirmando a boa recepção do público já na primeira apresentação. Entre risos e momentos de reflexão, o espetáculo evidencia como o passado nunca permanece totalmente encerrado, especialmente quando sentimentos não resolvidos encontram uma segunda chance de diálogo.
Foto de capa Lina Sumizono

