Trama promissora que se perde no excesso de reviravoltas e empoderamento mal dosado

Baseado no best-seller, A Empregada ganhou sua adaptação no final de 2025 para 2026 com roteiro de Rebecca Sonnenshine e direção de Paul Feig. O filme conta a história de Millie, interpretada por Sydney Sweeney, que após cumprir dez anos de pena na prisão, busca desesperadamente um emprego para encerrar sua condicional enquanto mora temporariamente em seu carro. Assim, Millie consegue um trabalho como empregada doméstica da família Winchester. Lá, tudo parece perfeito: um quarto só para ela, um salário alto e a chance de não voltar para a prisão.

Porém, logo ao começar a trabalhar, percebe que as coisas naquela casa não são o que parecem, sendo perseguida e recebendo diversos ataques da patroa, interpretada por Amanda Seyfried. Millie se vê encurralada: apesar de todo o sofrimento, não pode abandonar o emprego, sob risco de perder a condicional e voltar para a cadeia.

O filme acerta no suspense, com um ritmo eficiente, e as duas atrizes principais entregam ótimas atuações, especialmente Amanda Seyfried, que incorpora com precisão o lado mais desequilibrado e manipulador de sua personagem. Seu desempenho se destaca pela capacidade de alternar delicadeza e crueldade com naturalidade, construindo uma presença que domina a tela e sustenta grande parte da inquietação do filme.

O longa é daqueles suspenses que vai cozinhando o espectador aos poucos, demorando para revelar o que motiva o comportamento de Nina, o motivo da prisão de Millie e toda a história da família Winchester. Quando as reviravoltas finalmente chegam, porém, uma enxurrada de informações é despejada sobre o público, e esses vários plot twists acabam transformando uma produção promissora em uma verdadeira farofa cinematográfica.

É difícil comentar sobre esses plots sem entregar spoilers, mas a trama evolui para um clássico “nós contra eles”, quando havia espaço para mais nuances  O Enzo, por exemplo, só existe no filme onde havia espaço para ser mais útil na trama. O final adota um caminho açucarado, e um desfecho mais agridoce poderia trazer mais impacto do que provocar no espectador a sensação de “agora exagerou”. O excesso de girlpower no último ato enfraquece o potencial de um clímax que tinha tudo para ser memorável.

Apesar dos tropeços narrativos, é inegável que a produção e a fotografia são pontos fortes. O visual é cuidadosamente construído para sustentar o clima de terror psicológico, com luzes frias, enquadramentos que reforçam a sensação de vigilância e uma estética alinhada à tensão entre patroa e empregada. O que realmente pesa é o roteiro no seu  último ato. Sou suspeito para comparar, já que ainda não li o livro que inspirou o filme, então não posso afirmar o quanto a adaptação se distancia da obra original. Ainda assim, no conjunto, A Empregada entrega uma experiência envolvente o suficiente para valer o ingresso  sobretudo para quem aprecia um bom suspense cheio de reviravoltas.

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