Tragicomédia Quinquilharias mistura surrealismo, música ao vivo e crítica social

Foto O Folhetim Cultural/Lucas Azevedo

No último domingo, dia 21 de setembro, aconteceu a última apresentação da peça Quinquilharias, no Espaço Excêntrico. A dramaturgia e direção cênica são de Rafaella Costa. A tragicomédia apresenta uma história não linear de uma mulher que naufraga em um mar de bugigangas com seu barco de papel. A peça contou ainda com música ao vivo composta especialmente para a montagem.

O cenário é formado por diversos objetos aleatórios, criando um espetáculo de caráter surrealista. Enquanto a mulher, interpretada por Babi Ferreira, enfrenta seu naufrágio, carrega também o peso de suas angústias. Ao mesmo tempo, a peça traz uma camada de metalinguagem, comentando sobre seu orçamento e fazendo piadas com a situação do teatro como um todo. No início, parecia que seria um monólogo, mas, navegando pelo mar, a protagonista encontra a Cabeça, interpretada por Walkíria Présa, que também dá vida a outros personagens. Carlos Canarin assume o papel do narrador, que observa, comenta e participa da trama.

No segundo ato, a encenação mergulha mais fundo na comédia do absurdo. A mulher vai parar em um bar no meio do deserto, e o cenário se transforma rapidamente: o barquinho vira um balcão de bar ao ser virado. Nesse arco, luzes coloridas e muita dança criam um ambiente quase de balada, com os personagens vestidos de forma caricata e divertida, o que envolve o público de maneira vibrante.

Já o terceiro ato aposta no drama, trazendo críticas mais pesadas sobre a guerra, o aborto e a vida de modo geral, abordando dores e traumas. Nesse momento, a mulher retorna ao mar, agora com uma atmosfera mais tensa, marcada por músicas densas e iluminação em tons avermelhados. Enquanto ela despeja suas angústias, os personagens secundários exploram, com expressões faciais, sentimentos como medo, tristeza e terror.

Foto O Folhetim Cultural/Lucas Azevedo

A trilha sonora original, composta e dirigida por Léo Gerlach, é executada ao vivo por uma banda em cena e se torna parte essencial da dramaturgia. O som conduz o ritmo narrativo e molda a atmosfera de cada momento da peça.

Todas as sessões contaram com duas intérpretes de Libras, garantindo acessibilidade ao público. A montagem foi realizada com apoio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Curitiba e da produtora. Quinquilharias saiu de cartaz em setembro, mas retornará em outubro dentro da programação do Festival de Pinhais.

 

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