Telefone Preto 2 repete a mesma fórmula do primeiro filme — e acerta em cheio

A sequência de Telefone Preto chegou aos cinemas. Dessa vez, o filme se passa quatro anos após os eventos do original, novamente com direção de Scott Derrickson e roteiro de C. Robert Cargill. O longa dá mais destaque a Madeleine McGraw como Gwen, que mais uma vez volta a ter visões em seus sonhos e recebe ligações misteriosas vindas de anomalias sobrenaturais. Mason Thames, como Finney, retorna lidando com os traumas que carrega depois de ter enfrentado e matado o sequestrador vivido por Ethan Hawke, mantendo agora uma postura mais isolada e durona, afastando-se das outras pessoas.

Após diversos sonhos perturbadores, Gwen e Finney decidem ir até um acampamento onde descobrem que a mãe deles foi uma das monitoras do local. Mas, dessa vez, terão que enfrentar um inimigo muito mais difícil — um mal que, mesmo morto, ainda os atormenta.

O novo filme propõe explorar mais a relação entre os dois irmãos, com Gwen vivendo um romance com Ernesto, personagem que oferece o suporte emocional que o irmão, preso aos traumas do passado, já não consegue dar.

Telefone Preto 2 é mais violento graficamente do que o primeiro, apostando em cenas que intensificam o horror — seja com jumpscares ou momentos de gore —, gerando ainda mais tensão no público e resultando em sequências realmente perturbadoras.

Muito se questionou, quando o novo longa foi anunciado, sobre a necessidade de revisitar essa história — especialmente após a confirmação de que o sequestrador voltaria a aparecer no elenco. A dúvida era legítima: seria mesmo preciso trazê-lo de volta? Ainda assim, o roteiro consegue inseri-lo novamente de forma criativa e, ao mesmo tempo, arriscada — mas coerente com a proposta original.

Dessa vez, a trama segue por um caminho diferente do primeiro filme. Enquanto antes o protagonista contava com a ajuda constante dos espíritos para escapar, agora a narrativa se volta mais para o enfrentamento direto do medo, do sobrenatural e dos impactos psicológicos deixados pelos acontecimentos passados. O contato com os espíritos, que antes era uma forma de salvação, torna-se aqui a principal fonte de conflito e dificuldade.

Apesar de trazer informações adicionais e revelações chocantes, o novo filme às vezes força demais essas conexões, o que não chega a estragar a trama, mas a torna um pouco menos crível.

O longa também presta homenagem a vários clássicos do terror dos anos 1980, como A Hora do Medo e O Iluminado. A estética lúdica dos sonhos de Gwen, com uma fotografia granulada e quase onírica, dá um toque original ao filme e o distancia visualmente do primeiro.

Mesmo que o primeiro filme já encerrasse sua história de forma redonda, Telefone Preto 2 acaba sendo, no fim das contas, um grande acerto — uma continuação que mantém o mesmo nível de qualidade  do original.

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