Com sua segunda passagem pelo Fringe, a Ronconi Produções de São Paulo, trouxe o seu trabalho “Por uma gota de água”. Em cena, dois personagens divorciados em um mundo caótico e destruído pela tecnologia e ganância humana, estabelecem os critérios morais ainda restantes sobre suas relações problemáticas e o que fazer com a falta de água.
A potência de um universo ficcional é mostrado logo no estágio inicial. Figurinos, cenografia e sonoplastia. Elementos fundamentais para uma construção básica. Todavia, a dramaturgia se perde nessa imensidão que não é de fato simples. Ao tentar construir esse mundo pós-apocalíptico, Lucas Ronconi e Naty Horvath se preocupam mais na inspiração de Medeia, do que em trazer elementos que poderiam mergulhar o espectador à catarse.
Os dois artistas tentam sustentar o jogo cênico de diversas formas, mas a discussão em volta apenas de uma relação conturbada e menos no filho e no que fazer com ele é desanimador.
Os elementos cênicos ali são apenas mera existências que não transformaram em nada as potencialidades dos diálogos. A mesa é esquecida em toda a sua existência. A ilusão tecnológica, objeto principal da crítica da peça, é apenas um detalhe de adereço da protagonista.
Assim, mostra-se o tamanho desfiladeiro que se pode despencar quando um texto não consegue ser desenhado. É claro que as técnicas tradicionais de dramaturgias podem – e devem – ser rompidas, mas com intencionalidade. Com um caminho a ser seguido e apresentado. Não apenas como um mero protesto.
Aqui, se vê um espetáculo ainda em sua plena gestação, mas com grandes potencialidades de transmutar-se em um palco a ser mais domado pelo elenco, a partir de um texto que lhes apresenta tal universo.
