Panorama literário (19 a 25 de janeiro de 2026)

A última semana cheia de janeiro chega com um ritmo interessante para quem acompanha o mercado editorial. Entre a chegada de um clássico revisitado, um romance internacional premiado, novos títulos nacionais em formato digital e um evento que movimenta a cena independente em São Paulo, o período de 19 a 25 de janeiro oferece boas oportunidades para atualizar a lista de leituras e circular por diferentes universos literários.

 19 de janeiro:

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Memorando: Maximin, de Ricardo Domeneck

Na poesia contemporânea brasileira, Ricardo Domeneck, vencedor do Prêmio Jabuti e do Prêmio Alphonsus de Guimaraens em 2024, ambos na categoria “poesia”, apresenta esta obra que se insere em sua trajetória marcada por experimentação formal, rigor linguístico e diálogo constante com filosofia, política e artes visuais.

O livro constrói um campo poético que funciona como registro, anotações e fragmentos de pensamento, tensionando os limites entre o lírico, o ensaístico e o documental. Domeneck trabalha a linguagem como matéria instável, explorando ritmo, silêncio e montagem textual, em uma escrita que desafia leituras lineares e convida o leitor à escuta atenta do texto.

20 de janeiro:

Foto: Reprodução/Distribuição

A Montanha Mágica, de Thomas Mann

Publicado originalmente em 1924, A Montanha Mágica retorna ao mercado brasileiro em uma nova edição lançada pela Companhia das Letras. O romance acompanha Hans Castorp, um jovem engenheiro que visita um sanatório nos Alpes suíços e acaba permanecendo ali por anos, mergulhando em debates sobre tempo, doença, política, ciência e espiritualidade.

Considerada uma das obras fundamentais da literatura do século XX, a nova edição conta com tradução revista e posfácio de Marcus Vinicius Mazzari, oferecendo ao leitor contemporâneo novas chaves de leitura para um texto que segue atual em suas reflexões sobre crise, sociedade e humanidade.

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O 11º Tripulante, de Moto Hagio

Referência absoluta do mangá japonês e uma das principais representantes do Grupo do Ano 24, Moto Hagio apresenta O 11º Tripulante, obra fundamental da ficção científica em quadrinhos.

A narrativa acompanha uma missão espacial em que um grupo de candidatos enfrenta um teste decisivo, até que surge um tripulante inesperado, colocando em xeque confiança, identidade e pertencimento. Com sensibilidade e profundidade psicológica, Hagio utiliza o cenário futurista para discutir questões como alteridade, gênero, solidão e empatia.

22 de janeiro

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Meu Caminho Até Você, Larissa Gonçalves da Silva (eBook)

Com uma escrita sensível e direta, o livro explora temas como amadurecimento, expectativas, perda e recomeço, apostando na intimidade dos vínculos e na construção emocional dos personagens. A trama se desenvolve a partir de encontros marcados por fragilidade e esperança, convidando o leitor a refletir sobre os caminhos que nos conduzem até o outro, e até nós mesmos.

A obra se destaca pelo tom acolhedor e pela atenção aos sentimentos cotidianos, oferecendo uma leitura fluida e envolvente, voltada a quem busca histórias de romance centradas na dimensão emocional das relações.

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Através Daquela Máscara, Laine G. Bessa (eBook)

Laine G. Bessa constrói uma narrativa centrada nas tensões entre identidade, aparência e verdade emocional. O romance acompanha personagens que vivem à sombra de papéis sociais e expectativas impostas, explorando os limites entre aquilo que é mostrado ao mundo e o que permanece oculto.

Com uma escrita voltada para a introspecção psicológica, a obra investiga como traumas, segredos e relações mal resolvidas moldam comportamentos e silenciam desejos. Ao longo da narrativa, a “máscara” do título funciona como metáfora para os mecanismos de proteção emocional que os personagens criam, e para o custo de mantê-los.

A trama se desenvolve a partir de conflitos internos, conduzindo o leitor por um percurso de autoconfronto e revelações graduais. Sem recorrer a excessos dramáticos, o livro aposta na construção sensível dos personagens e na observação cuidadosa de seus dilemas, resultando em uma leitura voltada a quem se interessa por histórias de autodescoberta, vulnerabilidade e transformação pessoal.

Foto: Reprodução/Distribuição

O Que Ficou de Nós: Dorama Fiction, Nelson Santos (eBook)

Inspirado na linguagem dos doramas, ‘O Que Ficou de Nós’ aposta em uma narrativa guiada por emoções contidas, silêncios significativos e relações atravessadas pelo tempo. O romance constrói sua história a partir de memórias, despedidas e reencontros, explorando o impacto das escolhas passadas na formação dos vínculos afetivos.

A obra dialoga diretamente com estruturas narrativas do audiovisual asiático, privilegiando ritmo, cenas intimistas e forte carga emocional. Ao invés de conflitos grandiosos, o texto se concentra nos detalhes: olhares, gestos e palavras não ditas que moldam as relações entre os personagens. Aqui o tempo trabalha como elemento central da experiência emocional.

23 de janeiro

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Novos folhetos de cordel – Franklin Maxado “Nordestino”

Um dos grandes destaques do panorama literário brasileiro na semana é o lançamento de três novos folhetos de literatura de cordel assinados por Franklin Maxado, conhecido “Nordestino”. O autor é reconhecido como um dos criadores do cordel paulista e uma das vozes mais importantes da literatura popular brasileira contemporânea.

Com uma trajetória marcada pela defesa da cultura nordestina em diálogo com os centros urbanos do Sudeste, Maxado construiu uma obra que transita entre tradição oral, crítica social, humor, política e memória cultural. Seus folhetos mantêm a métrica clássica do cordel, mas abordam temas atuais, reforçando o gênero como uma forma viva, dinâmica e profundamente conectada ao presente.

Foto: Reprodução/Distribuição

O Sol Nunca Se Põe, de Camilla Bastos

Camilla Bastos investiga as transformações silenciosas da vida adulta e os conflitos que atravessam as relações humanas ao longo do tempo. A narrativa acompanha personagens em momentos de virada, quando escolhas aparentemente íntimas revelam tensões profundas entre permanência e mudança, luz e sombra.

Com uma escrita contida e sensível, a autora constrói um retrato delicado do amadurecimento, explorando afetos, rupturas e os não ditos que moldam trajetórias pessoais. A obra se destaca pelo tom reflexivo e pela atenção às nuances emocionais, oferecendo uma leitura que dialoga com questões contemporâneas e com o cotidiano de uma geração em constante reinvenção.

Foto: Reprodução/Distribuição

O Maquiador da Morte, de Alice Schlittler (eBook)

Em O Maquiador da Morte, Alice Schlittler desenvolve um suspense psicológico marcado por atmosfera densa e tensão gradual. A narrativa gira em torno de personagens que transitam entre aparência e verdade, explorando os limites éticos, os segredos e as consequências de escolhas ocultas.

A trama se constrói a partir de ambiguidades morais e jogos psicológicos, conduzindo o leitor por um percurso de inquietação e desconforto. Com uma escrita objetiva e envolvente, a obra investe na construção de suspense mais emocional do que explícito, privilegiando o impacto psicológico sobre a ação direta.

O livro se destaca pelo clima sombrio e pela atenção aos conflitos internos dos personagens, sendo indicado para leitores que apreciam histórias de mistério, tensão e questionamentos morais que se aprofundam para além do crime em si.

24 e 25 de janeiro

Feira Subterrânea (Evento, São Paulo)

A Feira Subterrânea é um evento cultural que ocupa São Paulo a partir das margens criativas da cidade, reunindo editoras independentes, autores, artistas gráficos, zineiros e leitores em um espaço de troca, experimentação e circulação de ideias. Com uma curadoria voltada à produção alternativa e autoral, a feira se consolida como um ponto de encontro para quem busca narrativas fora do circuito comercial tradicional, valorizando a diversidade estética, temática e política da cena literária contemporânea.

Mais do que um espaço de venda, a Feira Subterrânea se propõe como um ambiente de convivência e descoberta. Ao caminhar pelos estandes, o público tem contato com livros artesanais, zines, impressos gráficos e projetos editoriais que exploram novas linguagens, formatos e discursos. A programação costuma incluir lançamentos, conversas com autores, leituras, performances e debates, ampliando o diálogo entre criadores e leitores e fortalecendo a comunidade literária independente.

O nome do evento reflete seu espírito: dar visibilidade ao que muitas vezes circula de forma subterrânea, vozes dissidentes, experimentais e urgentes, que encontram na feira um espaço legítimo de expressão. Em uma cidade marcada pela efervescência cultural como São Paulo, a Feira Subterrânea se afirma como um território de resistência criativa, onde literatura, arte e pensamento crítico se encontram, reafirmando o papel dos eventos independentes na renovação do cenário cultural brasileiro.

Serviço

Data: 24 e 25 de janeiro

Local: Galeria Metrópole (Av. São Luís, 187, Centro, São Paulo)

Horário: consultar a programação oficial do evento

Entrada: gratuita


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