“Mostra do Impossível” comemora 15 anos da Confraria do Impossível com exposição e prêmio que homenageia grandes nomes das artes cênicas negras

A Confraria do Impossível completa 15 anos em 2025 e iniciou, no Mês da Consciência Negra, as celebrações dessa trajetória, que se estende até dezembro. O encerramento da programação acontece neste sábado (6), na Galeria Quilombo, com uma noite dedicada à memória, legado e fortalecimento das artes cênicas negras. O evento começa as 18h, com a exposição “Memórias de um legado negro” e o lançamento do novo site da Confraria e, às 19h, a segunda edição do Projeto Legados, que concede o Prêmio Sankofa do Impossível, no Teatro Negro Chica Xavier. Entrada gratuita.

O Prêmio Sankofa do Impossível homenageia e reverencia artistas mais velhos e da contemporaneidade. Os homenageados de 2025 são: Sarito Rodrigues, Verônica Bonfim, Orlando Caldeira, Iléa Ferraz, Wilson Rabelo e Vilma Melo.

15 anos de resistência, criação e quilombismo contemporâneo. Para ALemos, fundador da Confraria do Impossível e o primeiro diretor negro a ser laureado em 31 anos de Prêmio Shell, completar uma década e meia da Confraria não é apenas celebrar, mas reivindicar a força de uma trajetória construída na resistência: “Fazer arte no Brasil já é difícil; fazer arte negra é ainda mais complexo. Somos um dos poucos coletivos que produzem arte negra de forma ininterrupta há mais de uma década. Então, essa mostra celebra a nossa força.”

Em 2025, a Confraria entregou mais de dez formações afrocentradas, recebeu diversos grupos e artistas negros e periféricos, mantendo um fluxo contínuo de criação, oficinas e experimentações, reforçando seu papel como polo de desenvolvimento das estéticas negras contemporâneas. Para Wayne Marinho, co-gestor e diretor geral da Confraria, resistir e continuar disseminando arte preta de qualidade é um trabalho árduo. “Mas nós sabemos da importância de continuar perpetuando esse legado. Celebrar com grupos que tem mais tempo de estrada e com outros grupos que estão com menos tempo de trajetória é um passo fundamental para o desenvolvimento decolonial e uma cultura antirracista”, ele destaca.

Novembro é um mês de grande simbolismo, mas o compromisso da Confraria é contínuo. “A arte negra precisa ser consumida para além de novembro. A gente produz durante os doze meses do ano, e essa mostra reafirma isso: somos um movimento vivo, amplo, próspero e ativo”, ressalta André.

Confraria do Impossível

Atualmente, a Confraria do Impossível é uma empresa de arte negra, mas também sempre foi um grupo/coletivo artístico independente. Desde sua criação, realiza diversas atividades e produções importantes para a população no geral, trazendo cultura e educação voltada para a descolonização do pensamento social e reeducação antirracista.  Seu trabalho também naturaliza a arte no cotidiano das pessoas, a partir das vivências proporcionadas por artistas negros e suas linguagens. Além disso, a Confraria é a mantenedora financeira e responsável pela administração, gestão e curadoria do Terreiro Contemporâneo, Centro Cultural Negro, que se tornou referência no país. O espaço, reconhecido como um verdadeiro quilombo cultural, abriga grupos negros e periféricos e recebeu o Prêmio Shell de Teatro RJ na categoria Inovação (2020).

Programação

SÁBADO – (06/12)

EXPOSIÇÃO – Memórias de um legado negro

Local: Galeria Quilombo

Horário: 18h

Visitação Gratuita

Celebração 15 anos – LANÇAMENTO DO SITE

PROJETO LEGADOS – Prêmio Sankofa do Impossível

Local: Teatro Negro Chica Xavier

Horário: 19h

Entrada Gratuita

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