O ano é 2026, e Timothée Chalamet continua brilhando nas telonas, agora com Marty Supreme. Desde outubro, quando o filme começou a circular pelos festivais, a produção vem conquistando a crítica e acumulando indicações importantes — incluindo o Globo de Ouro de Melhor Ator em Filme de Comédia para Chalamet.
Com roteiro e direção de Josh Safdie, Marty Supreme se passa na Nova York da década de 1950 e acompanha a trajetória de Marty, um jogador profissional de tênis de mesa em franca ascensão. Talentoso, carismático e ambicioso, ele rapidamente se destaca no meio esportivo, mas sua arrogância e imaturidade o conduzem a conflitos cada vez mais difíceis de contornar.
Marty é, ao longo de grande parte do filme, um protagonista deliberadamente detestável. Convencido de que é intocável, ele acredita poder passar por cima de qualquer pessoa por meio de esquemas duvidosos, muita lábia e tentativas constantes de manipular situações a seu favor. Ele se torna um verdadeiro babaca. Ainda assim, sua determinação obsessiva e as consequências diretas de suas escolhas fazem com que o público abrace o personagem.
A crença exagerada em sua própria grandeza é justamente o que o leva ao fundo do poço, e é aí que a premissa do filme se mostra mais cativante. Marty Supreme é construído como uma sucessão de eventos em que uma decisão leva inevitavelmente à outra, mergulhando o espectador em um cenário caótico e imprevisível. onde o telespectador fica naquele transe se perguntando “como tudo isso vai se resolver”?
Timothée Chalamet brilha muito durante o filme ele equilibra bem o tom inocente de seu personagem ao mesmo tempo sua personalidade forte, um bom malandro mas ainda uma crainça que não sabe como o mundo adulto funciona além disso é difícil de acreditar que nas cenas de tênis de mesa realmente era o próprio ator fazendo onde ficou 7 treinando para fazer as cenas de esporte Timothée merece cada aplauso que recebeu.
A direção de Josh Safdie é fundamental para sustentar o filme, especialmente diante da quantidade de conflitos que se acumulam ao longo da narrativa. Mesmo com uma duração extensa, o diretor faz escolhas precisas de ritmo e encenação, conduzindo a história de forma fluida e evitando que o caos narrativo se torne maçante . Safdie transforma o excesso em motor dramático, fazendo com que cada situação leve organicamente à próxima. Assim, a câmera e o ritmo acelerado se complementam, mantendo o filme em constante movimento e evitando que a longa duração se torne cansativa.
Embora Marty Supreme seja inspirado na trajetória de um atleta real, o filme não é uma biografia direta. Muitos personagens e situações são claramente ficcionais, o que reforça o interesse do diretor em explorar menos os fatos e mais o drama do protagonista. Apesar da ambientação esportiva, o filme não é exatamente sobre esporte, mas sobre a obsessão de Marty em provar seu valor e todo o seu drama para jogar no Japão.
Assim, Marty Supreme se constrói como um filme sem um antagonista direto, já que o próprio protagonista assume esse papel por meio de suas decisões e atitudes. Cada escolha feita por Marty se volta contra ele, transformando sua trajetória em um processo contínuo de autossabotagem. Nesse sentido, o tênis de mesa funciona como uma metáfora eficiente: um jogo em que um pequeno deslize é suficiente para levar à sua queda.
