Justiça Artificial reflete momento de muita tecnologia e igualmente muito perigo

O novo longa estrelado por Chris Pratt, “Justiça Artificial” chegou aos cinemas na última quinta-feira (22) e trouxe à tona uma realidade cada vez mais presente na humanidade. A ultratecnologia pode tornar o mundo mais fácil, mas também abre precedentes para um perigo mortal. A trama, ambientada em um futuro próximo, coloca uma inteligência artificial super avançada como juíza de casos graves no sistema judiciário dos EUA, como homicídios. Após analisar os fatos, a juíza decide e já executa o condenado na própria cadeira.

Assim seria muito fácil, não é? A responsabilidade de decidir pela vida de alguém fica completamente sob uma coisa e não sobre alguém. Embora pareça improvável, essa realidade é supre compreensiva e pode sair das telas para os tribunais em alguns anos. A maior crítica do filme é de fato pesada. As nuances humanas de cada situação vivenciada por um individuo jamais poderão ser ilustradas e compreendidas por um robô, tenha ele ou não o mais avançado sistema. 

Todas as vezes que a juíza – o programa Mercy – tenta acessar aquilo que nos torna humanos, ela falha. Literalmente, uma falha de sistema, pois seus códigos não foram construídos para aquilo. E sim para fato -fato. 

Em primeiro momento, parece que o filme será entendiante ao apresentar apenas a narrativa dentro do tribunal por pouco mais de uma hora e meia. Contudo, conforme o caso vai sendo apresentado e o desespero de Chris Reaven (Chris Pratt) ganha forma, o roteiro consegue manter o público envolvido na narrativa. A maneira como constrói os problemas e faz com que o telespectador passe a duvidar da lealdade de Reaven e o vê como possível culpado pelo crime é brilhante. Assim, como a relação de amor e ódio que se constrói com a juíza artificial. É improvável que qualquer filme construa uma dualidade tão forte e presente ao longo da trama. 

A direção de Timur Bekmambetov mostra as entrelinhas de um sistema judiciário defasado e sobrecarregado dos Estados Unidos que não consegue mais lidar com a própria realidade, mas também não sabe para onde correr. Até porque, não é função dele o fazer. Mas transformar essa realidade para a tela em um momento tão minucioso da política interna do país é no mínimo audacioso. 

Os efeitos visuais são impecáveis e atendem de forma brilhante o que o roteiro propõe. Já a atuação de Pratt é quase mais do mesmo. Não há esforço para trazer algo inovador, até porque o próprio roteiro não exige isso dele. Seu personagem é um cidadão comum, não um super-herói. 

Ao final, “Justiça Artificial” é um longa excelente para debater o problema de colocarmos as IAs em todos os lugares, como se elas fossem a dona da verdade e fosse capaz de resolver todo e qualquer problema que surge. É um ótimo exemplo de que a longo prazo, esse sistema será colapsado por si próprio e aqueles que duvidem dele, seriam suas vítimas. É fato, não há como negar. Já se vê isso na prática acontecendo. 

Como filme, o longa não traz invenção à roda, apenas uma temática diferente. A fórmula continua sendo a mesma. A experiência em 3D, entretanto, é facilmente descartada, visto que não traz uma imersão à trama como em “Avatar” e afins.

O filme está em cartaz no Imax Palladium. Membros do Folhetim Club garantem 50% de desconto em ingressos Imax. Confira aqui.

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