João Fenerich faz 10 anos de carreira com retorno aos palcos e prêmio internacional

Em 2026, o ator prepara seu retorno ao teatro com o espetáculo “Carícias”, do Sergi Belbel, junto da Cia da Memória, com previsão para estreia no primeiro semestre. O texto fala de uma intimidade que é sempre interrompida em encontros entre duas pessoas que, mesmo muito próximas, não conseguem realmente se alcançar. O espetáculo terá direção de Ruy Cortez.

“Voltar para o teatro é algo que sempre me reorganiza como artista. O processo tem sido muito interessante. Começamos os ensaios de forma híbrida, com uma parte online e outra presencial, e agora, em janeiro, vamos intensificar nosso trabalho. É um texto que pede precisão e presença absoluta, então o ensaio vira quase um laboratório de relações humanas. Cada cena é simples na forma, mas muito complexa no que carrega por dentro”, conta.

João também se prepara para um projeto especial, com uma linguagem diferente e em formato vertical. De forma ainda muito intuitiva, ele começa a flertar com novas possibilidades com curiosidade e vontade de experimentar novos lugares dentro da criação, e poder contar histórias a partir do seu ponto de vista.

“Acho que o meu caminho na teledramaturgia me faz olhar pra trás com bastante carinho. Cada trabalho tem a sua importância, não só profissionalmente, mas também na minha formação como pessoa e como ator. Independente da emissora, cada projeto deixa uma marca em mim e no meu processo. Tudo vai construindo quem eu sou hoje: um ator mais consciente, mais paciente com o tempo das coisas e, principalmente, mais apaixonado pelo ofício,” reflete.

Nos últimos dois anos, ele tem ganhado espaço em curtas e longas metragens, como “Consequências paralelas”, que será lançado este ano nos cinemas, e no curta “Escolhidos”, pelo qual venceu o prêmio de Melhor Ator no San Luis Film Festival, em Arizona, Estados Unidos. A trama acompanha uma família que enfrenta as contradições da fé e o impacto das aparências em suas vidas, conduzindo o espectador por uma jornada emocional onde os personagens lidam com questões que questionam o significado de ser “escolhido”, refletindo sobre espiritualidade versus aparências, abordando como isso afeta nossas relações humanas.

“Receber esse prêmio por ‘Escolhidos’ foi muito especial, principalmente pelo momento em que ele chega. É o meu primeiro prêmio na vida como ator. É como um sinal de que o caminho que eu venho trilhando faz sentido, que reafirma escolhas que muitas vezes são feitas no risco e na dúvida. Mas ao mesmo tempo, é impossível não olhar também para os mais de 20 prêmios que ‘Consequências Paralelas’ recebeu, agora do meu lugar como produtor. No fim, todos esses prêmios reforçam algo muito simples: a vontade de seguir contando histórias que importam, e confirmam que estou no caminho certo”, conta.

Foi nesse processo que começou a se reconhecer também como produtor, querendo viabilizar histórias, criar espaços e sustentar projetos que acredita. Essa possibilidade de presença mais profunda nas histórias foi trazida a ele pelo cinema. “A atuação e produção podem caminhar lado a lado. Nunca deixei e nem deixarei de ser ator, pelo contrário. Acho que tenho me tornado um ator mais inteiro por entender melhor todo o processo que existe por trás de cada história”, declara.

“Essa passagem da televisão para o cinema e os festivais foi menos uma ruptura e mais um chamado. Nos últimos anos, comecei a sentir uma necessidade maior de estar envolvido com as histórias desde o início, de participar das decisões, dos riscos e do caminho que um projeto escolhe seguir. ‘Consequências Paralelas’ nasceu muito desse desejo. Não era só sobre atuar, mas sobre entender o filme como um todo”, complementa.

Na sua história com a teledramaturgia João considera sua participação em “Quanto Mais Vida Melhor”, novela das sete de 2021 da TV Globo, uma das experiências mais bonitas da sua carreira. “Foi minha primeira novela, em plena pandemia. Foi um lugar que me ensinou sobre observar: o tempo das coisas, a escuta em cena, o convívio com atores que eu sempre admirei e que, de repente, estavam ali comigo. E um dos maiores presentes desse trabalho, sem dúvida, foi ter o Mateus Solano como parceiro de cena,” relembra.

Além dela, destaca também os trabalhos na Record, onde encontrou desafios diferentes em “Reis” e “Paulo, O Apóstolo” com personagens mais intensos e um mergulho emocional mais profundo. “Tive a chance de contar histórias de época, interpretar personagens reais, com um cuidado de produção que fazia tudo parecer verdade. Figurino, cenários, linguagem… tudo ajudava a gente a acreditar naquela realidade,” conta.

Fenerich esteve em produções de sucesso no Globoplay, como “Fim”, onde viveu o filho de Fernanda Torres, e “Betinho”, além de participar de um episódio de “Sob Pressão”. Mesmo cada trabalho trazendo uma carga diferente, João acredita que o streaming chegou como um espaço de muita liberdade e confiança no seu processo.

“‘Fim’ foi um trabalho muito especial por ter sido convidado, pela delicadeza da série em si, pelo silêncio que a série pedia. Foi uma experiência muito bonita. Já ‘Betinho’ teve um peso diferente por contar uma história tão importante para o Brasil e viver um universo real, político e humano. Foi um trabalho que me fez entender ainda mais o poder da dramaturgia como memória, como reflexão e como ferramenta de transformação. Foi uma experiência profundamente marcante, não só pelo fato de poder contar a história dele, como também contar sobre um período histórico muito sensível para o Brasil. Interpretar o Cláudio Mesquita, marido de Herbert Daniel (Ed Moraes), me fez ver o tamanho da coragem, do afeto e da resistência que sublinha a história desse casal. ‘Sob Pressão’ foi quase um rito de passagem por ser minha primeira entrada no universo do streaming. É uma série que sempre admirei muito e estar ali, ainda que por um capítulo, foi um aprendizado enorme e um reforço de que cada oportunidade, sem juízo de valor de tamanho, é importante para o processo”, completa.

Instagram oficial João Fenerich
Site oficial https: www.joaofenerich.com

Foto de capa: Caio Oviedo

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