Apesar de ser mais um thriller comercial, Dead of Winter acabou surpreendendo bastante. Apesar de ter aquelas clássicas conveniências que um filme de suspense costuma ter — como, de repente, alguém ir para o meio do nada sem nenhum tipo de comunicação com as autoridades e depois encontrar psicopatas, o filme acaba acertando bastante em vários pontos.
O longa, ambientado no gelo, acompanha a jornada de Barb, estrelada por Emma Thompson, uma viúva que vai até o lago Hilda para espalhar as cinzas de seu marido. Chegando lá, se depara com uma cabana e descobre que uma jovem foi sequestrada pelo casal que vive lá. Ela acaba ficando presa no gelo, em uma área sem comunicação, e luta para se salvar e para salvar a menina.
Dirigido por Brian Kirk, o filme traz uma premissa um pouco diferente da maioria dos thrillers, onde a vilã não é uma psicopata descontrolada; ela está plenamente consciente do que faz, com um objetivo maior do que se espera. Isso é um grande ponto, pois justifica talvez algumas tomadas de decisão não muito sábias da vilã, já que ela sequestra a menina para salvar a própria vida.
Ao longo do filme aparecem diversos flashbacks sobre o passado de Barb com seu marido, que, de início, ficam um pouco entediantes, já que o telespectador está mais interessado em saber o que vai acontecer no tempo presente do que no passado. Afinal, esses momentos acabam se sobressaindo, tendo como finalidade dar um peso emocional maior. Acaba funcionando no final, mas esse excesso acaba pesando um pouco.
Outro ponto alto do filme são as atuações. Tanto Judy Greer, na construção de uma antagonista contida e ameaçadora, quanto Emma Thompson, trazendo profundidade emocional e peso dramático à protagonista, entregam performances que sustentam a tensão narrativa. As duas conseguem transmitir muito com gestos sutis e expressões contidas, reforçando o tom realista do thriller e fazendo com que os conflitos pareçam humanos e críveis, mesmo nas situações mais extremas.
O filme também economiza no cenário, onde o thriller é usado mais no isolamento psicológico no meio do gelo, assim como o roteiro, que acaba não saindo do tradicional. Por um lado, acaba sendo mais um filme de suspense, mas, por outro, o telespectador não sai decepcionado da sala de cinema. Além disso, a duração do filme ajuda a manter a tensão sem ficar cansativo, já que logo no começo as cenas de tensão já estão em alta intensidade.
A fotografia de Dead of Winter também merece destaque. O uso do branco do gelo e das paisagens abertas reforça a sensação de isolamento e vulnerabilidade da protagonista. O filme consegue transformar o ambiente em uma ameaça constante, não só física, mas psicológica, criando uma atmosfera fria e opressiva que combina com a proposta do thriller. A escolha por cenários amplos, mas vazios, ajuda a reforçar a ideia de que não há para onde fugir.
O Frio da Morte pode não sair do convencional, mas entrega exatamente o que promete. Com boas atuações, tensão constante e um ambiente que funciona como parte ativa do perigo, o longa mostra um thriller eficiente e envolvente. Mesmo seguindo uma estrutura mais tradicional, consegue prender a atenção e surpreender positivamente, sendo uma ótima experiência para quem gosta do gênero.
