Entre risadas e debates: clubes de leitura viram ritual de amizade

Todo mês, 5 amigas que se conheceram na escola se encontram para falar do livro escolhido no clube de leitura  com muitas risadas olhares críticos e debates. Isso já virou um ritual para elas, é o que conta a arquiteta e urbanista, Beatriz Stranger.

“Foi uma iniciativa entre as amigas. estávamos sempre conversando sobre o livro que estávamos lendo e decidimos montar o clube depois que a maioria se formou e estavam com mais tempo para ler”

Apesar de não haverem dados oficiais referente ao aumento de clubes do livro, a professora universitária de letras e língua portuguesa, Rosana de Melo Santos Nicola explica sobre o crescimento dos clubes de leitura 

“A pandemia foi um dos principais fatores para a volta dessa prática  pois as pessoas se isolaram e voltaram a ter mais tempo para ler” 

Rosana também explica que a  leitura é um ato isolado e que ela da um tempo de qualidade para se dedicar a esse ato de reflexão.

“A leitura é um ato que não combina com essa pressa toda que ocorre na atualidade, e com a pandemia as pessoas precisavam mais conversar sobre algo, ter o contato umas com as outras e uma dessas formas era falar sobre o que estavam lendo”

Segundo pesquisa do Instituto Pró Livro, os jovens de até 24 anos foram responsáveis por 35% do faturamento do mercado editorial em 2024, especialmente em livros infantojuvenis e educacionais. Esse dado ajuda a explicar o motivo dos clubes de leitura têm se tornado cada vez mais comum entre grupos de amigos, escolas e universidades.

Beatriz Stranger | Foto O Folhetim Cultural/Lucas Azevedo

Os clubes de leitura também proporcionam às pessoas a chance de experimentar novos gostos e de dar uma chance à obras que jamais dariam se não fossem os clubes. Beatriz também conta que o clube mudou sua forma de consumir livros. 

“As meninas me apresentaram para novos gêneros. Cada mês uma pessoa escolhe um  gênero diferente. As vezes escolhemos livros que já lemos ou que nunca lemos, assim eu comecei a ler mais livros de drama, livros mais ligados à vida.”

Rosana também explica que essa prática está cada vez mais comum, pois o clube é um lugar de democratização da palavra onde não existe hierarquia de poder. Lá todos falam de igual para igual.

“Naquele ambiente não importa a idade, não importa o poder econômico ou se tem visões diferentes do mundo, pois são essas diferentes visões que fazem um clube de leitura ser rico.”

O último livro que Beatriz leu foi o livro Phantasma escrito por Kaylie Smith, uma romantasia em que uma menina chamada Ophelia é desafiada a enfrentar provas em uma mansão chamada Phantasma, com a promessa de um desejo realizado por meio de um pacto com o diabo. Ela conta que gostou bastante, pois foi diferente de tudo que tudo que já leu. O próximo é o livro Morro dos Ventos Uivantes de Emely Bronte.

“Eu estou muito animada, pois é um livro que eu já ouvi bastante, mas não sei muito da história e é um milagre, pois normalmente sabemos tudo que acontece em um clássico” 

“O clube é um espaço democrático, de reflexão crítica, de abertura ao diálogo, de garantir voz, de aprender a ouvir e entender a opinião do outro e ser valorizado” completa a professora.

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