Morro dos Ventos Uivantes ganha mais uma adaptação dessa vez o filme é dirigido por Emerald Fennell que já vem ganhando um destaque recente com prêmios e indicações. Estrelado por Margot Robbie como catarine e Jacob Elordi como Heathcliff.
Heathcliff é adotado pela família Earnshaw quando criança e acaba criando um vínculo intenso com Catherine, a filha do patriarca. Crescendo juntos criam uma relação de intensidade e desenvolvem uma paixão mútua. Porém Cathrine escolhe segurança e status ao se casar com Edgar Linton o que fere Heathcliff profundamente. consumido pelos ressentimentos se afasta e some do mapa.
Anos depois, Heathcliff retorna misteriosamente enriquecido com muito desejo e vingança em seus olhos. O reencontro com Catherine reacende sentimentos nunca superados, transformando o amor juvenil em um ciclo de obsessão, orgulho e vingança, o reencontro dos dois acaba sendo devastador para todos ao seu redor.
O filme traz uma excelente direção de fotografia e arte, com frames que poderiam se tornar quase pinturas renascentistas, e os vestidos da Catharine um mais bonito que o outro. No entanto, esse foco exacerbado na composição visual e na estilização das cenas acaba deixando a obra mais técnica do que emocional. A imagem impressiona, mas traz pouquíssima profundidade nos personagens, ainda mais se for falar dos personagens secundários, a estética em muitos momentos acaba dominando a narrativa deixando a muito rasa.
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Também falta mais cuidado na construção dos personagens secundários. Edgar, por exemplo, acaba virando apenas o “bom moço”, aquele que faz tudo certo, oferece estabilidade, ama e cuida de Catherine, mas ele não ganha profundidade. Está ali mais para cumprir uma função na trama do que para existir como personagem de fato.
Já Isabella é ainda mais frustrante. Ao terminar o filme, fica difícil entender por que ela toma certas decisões. Faltam construção, falta preparação. E o que sobra é aquela sensação de “fica a seu critério interpretar”. Só que isso se repete tantas vezes ao longo do filme que deixa de ser ambiguidade interessante e vira ausência de explicação.
Ambiguidade pode ser boa o problema é quando isso substitui o desenvolvimento dos personagens. Em vários momentos, as motivações parecem rasas ou até confusas, e a complexidade que deveria tornar a história mais trágica acaba se perdendo no caminho.
Mesmo com os problemas do roteiro, as atuações seguram boa parte do filme. Margot Robbie entrega uma Catherine intensa, impulsiva e cheia de contradições. Ela consegue mostrar a força e a fragilidade da personagem ao mesmo tempo, principalmente nos momentos em que Catherine precisa escolher entre o que sente e o que a sociedade espera dela. É uma atuação que passa emoção de verdade, não só dramaticidade.
Já Jacob Elordi também se entrega ao papel. Seu Heathcliff é mais contido, mas carrega uma presença forte em cena, especialmente nos momentos de tensão. Mesmo quando o filme não aprofunda totalmente o personagem, ele consegue transmitir ressentimento e desejo de forma convincente.
Entretanto, um dos pontos polêmicos do filme foi o excesso de erotização, o romance sempre foi marcado por desejo e obsessão. No entanto, nesta adaptação, a sexualidade é elevada a um protagonismo quase constante. As cenas são longas, explícitas e esteticamente elaboradas, mas acabam parecendo, em alguns momentos, mais interessadas em provocar do que em aprofundar a relação entre os personagens.
Isso acaba enfraquecendo o impacto dramático do filme. O excesso de erotização ocupa o espaço que deveria ser dedicado ao desenvolvimento emocional, fazendo com que a intensidade física substitua a construção real do vínculo psicológico entre os personagens.
Assim Morro dos Ventos Uivantes é um filme provocador e tecnicamente impecável, mas que perde força ao não aprofundar a complexidade emocional que sustenta a história original.
