De 8 a 30 de abril, o Teatro Dulcina, espaço da Funarte no Centro do Rio, recebe ELIPSE, nova criação da Definitiva Cia. Teatro, grupo carioca que celebra 18 anos de trajetória em 2026. Inspirado no pensamento da performer, atriz, pesquisadora e professora Eleonora Fabião sobre corpo e estado cênico, o espetáculo investiga a presença a partir da construção e desconstrução de cenas, expondo ao público os processos, decisões e operações que sustentam o fazer teatral. As sessões acontecem às quartas e quintas, sempre às 19h, com recurso de tradução em Libras.
Escrito e encenado por Livs, com direção de Jefferson Almeida, o espetáculo confronta o palco em sua materialidade: chão de madeira, varas elétricas, refletores por afinar, mesa de luz, cabos, poeira e silêncio. A cabine de operação ocupa o centro da ação — tudo nasce do gesto visível de trabalho.
Ao montar e desmontar cenas, ELIPSE revela não apenas o resultado, mas o percurso: escolhas, erros, hesitações e ajustes. O que normalmente se oculta — o ensaio, a dúvida, a afinação, o risco — torna-se matéria dramatúrgica.
Para Jefferson Almeida, ELIPSE é uma declaração de amor crítica ao teatro. “É também um gesto político: ao iluminar os trabalhadores da cena — técnicos, operadores, contrarregras, produtores e bilheteiros —, o espetáculo evidencia a engrenagem humana que sustenta a ‘magia’”, afirma.
A montagem dá continuidade ao Exercício de Atuação, linha de pesquisa iniciada pelo grupo em 2021, voltada à presença do ator e ao jogo como dispositivos de criação cênica. Dessa investigação resultaram Princípio da Incerteza e O Susto, ambos estreados em 2023.
A elipse — figura que sugere órbita, deslocamento e supressão — estrutura o trabalho: o espetáculo orbita o teatro para falar dele; suprime certezas para revelar processos; desloca o olhar do espectador do produto para o trabalho. Do acúmulo técnico emerge a poesia; do vazio da caixa cênica — espaço que só existe quando habitado —, o ofício.
Entre memórias pessoais, citações clássicas, operações de luz e interrupções metateatrais, o espetáculo constrói uma trajetória múltipla que espelha a própria história do teatro. “É uma arte ancestral, coletiva, precária e insistente. Ao final, o que se vê não é apenas uma peça, mas o traçado das forças que a fizeram existir”, afirma Livs, que também assina a iluminação do espetáculo.
O projeto inédito é realizado pelo Governo Federal, Ministério da Cultura, Governo do Estado do Rio de Janeiro, Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, através da Política Nacional Aldir Blanc, com apoio da FUNARTE.
Sobre a Definitiva Cia. de Teatro
A Definitiva Cia. de Teatro é um coletivo independente em atividade desde 2008, no Rio de Janeiro. Fundada no Centro de Letras e Artes da UniRio (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro), a companhia mantém atuação contínua voltada à produção artística e à pesquisa de linguagem.
Ao longo de sua trajetória, desenvolve duas linhas de investigação:
Cena–Música — pesquisa em curso desde a fundação da companhia, dedicada a borrar os limites entre música e cena, estabelecendo um diálogo estrutural entre as linguagens. São resultados dessa investigação: Calabar, o elogio da traição (2008), Deus e o diabo na terra do sol (2011), A hora da estrela (2017), O som e a fúria – um estudo sobre o trágico (2020) e Bendegó (2024).
Exercícios de Atuação — linha de pesquisa iniciada em 2021, voltada à presença do ator e ao jogo como dispositivos de criação cênica. Resultam dessa investigação: Princípio da Incerteza (2023) e O Susto (2023).
Além dos espetáculos, a companhia realizou o sarau Rádio Sertão (2016), em parceria com o extinto Museu Tempo Glauber; o projeto audiovisual Cartas de Arquivo (2018), com o Arquivo Nacional; Calabar em Concerto (2018), versão compacta e revisitada do espetáculo de estreia, criada em comemoração aos 10 anos da companhia; e o documentário Percurso do gesto (2023), que compartilha o processo de criação de seu primeiro Exercício de Atuação.
A Definitiva também desenvolve projetos formativos, como laboratórios criativos, oficinas culturais e residências artísticas.

Sinopse
Elipse é um solo que investiga o que sustenta o teatro ao revelar, em cena, os processos, escolhas e trabalhadores que tornam possível a realização de um espetáculo. Ao montar e desmontar situações diante do público, a obra expõe a engrenagem invisível do fazer teatral — da técnica à presença — transformando o próprio trabalho em matéria dramatúrgica.
Serviço
ELIPSE
Quando: 08 a 30 de abril
Dia/hora: quartas e quintas – 19h
Local: Teatro Dulcina – espaço da Fundação Nacional de Artes – FUNARTE | R. Alcindo Guanabara, 17 – Centro, Rio de Janeiro
Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada) Clique aqui e compre seu ingresso
Classificação indicativa: 14 anos
Duração: 55 min
Capacidade: 30 lugares
Ficha técnica:
Um espetáculo da Definitiva Cia. de Teatro
Dramaturgia, atuação, iluminação e operação de luz: Livs
Direção: Jefferson Almeida
Direção musical: Renato Frazão
Direção de arte: Arlete Rua – Cromático Produções
Assistência de direção: Luiz Filipe Carvalho
Preparação de elenco: Daniel Chagas
Artistas colaboradores: Betho Guedes, João Vitor Novaes, Marcelo de Paula, Paula Sholl e Tamires Nascimento
Operadora de som: Maria Clara Coelho
Técnicos de montagem: Giu Del Penho e Luiz Paulo Barreto
Programação visual: Davi Palmeira
Assessoria de imprensa: Lyvia Rodrigues – Aquela Que Divulga
Foto e vídeo: Coité Produção Audiovisual
Acessibilidade em LIBRAS: Thamires Alves Ferreira
Contabilidade: VOX Contábil
Assistência de produção e gestão de mídias sociais: Higor Nery
Direção de produção: Tamires Nascimento
Foto de capa Paula Diniz
Via Assessoria de Imprensa
