Do BBB ao Oscar? Especialista explica como transformar fama de reality em carreira após o programa

O Big Brother Brasil (Globo) continua sendo a maior vitrine de celebridades instantâneas do país e a edição de 2026 reforça isso: elenco diverso, dinâmicas mais aceleradas e uma audiência que acompanha o programa não só pela TV, mas em cortes nas redes, plataformas de vídeo e debates online praticamente em tempo real. O problema é que, quando o programa acaba, quase todo mundo some. Pouquíssimos, como Grazi Massafera, Sabrina Sato e Juliana Alves, por exemplo, conseguem transformar a exposição em uma carreira artística. E é justamente aí que começa o jogo mais difícil para quem sonha em virar ator ou atriz após o confinamento.

Segundo a empresária e consultora de carreiras Aline Grain, que atua há quase quatro décadas nos bastidores do audiovisual e ajudou a estruturar carreiras como as de Paolla Oliveira e Regiane Alves, o erro de muitos participantes começa antes mesmo da estreia do programa.

“Participar de um reality para seguir uma carreira artística sem um objetivo específico já é um erro. O que o participante quer? Virar uma celebridade? Ganhar dinheiro? Ou simplesmente dar um empurrão na vida para ter uma oportunidade concreta? É necessário ter clareza neste ponto para desenhar a sua estratégia”, afirma a agente.

Aline observa que, na edição atual, muitos participantes já entram pensando em publicidade e redes sociais, mas esquecem que a carreira artística exige outra lógica: estudo, paciência e escolhas estratégicas após o programa.

“Hoje o participante já conhece o jogo e entra pronto com as peças de xadrez, mas se esquece que o jogo muda de um momento para outro. Se ele se agarrar nas suas peças, vai dançar. E a imagem do participante, se não conseguir reverter, já começa a se destruir.”

Quando o jogo dá certo – O caso mais conhecido de transformação pós-BBB é o de Grazi Massafera. Vice-campeã da edição de 2005, ela deixou o programa, investiu em formação, enfrentou resistência inicial e, aos poucos, conquistou espaço em novelas, séries e cinema, deixando de ser vista como ex-participante para se consolidar como atriz.

Mais recentemente, outro nome chamou a atenção da mídia. Em 2026, Mariza Moreira, do BBB15, tornou-se a primeira ex-BBB a disputar o Oscar, integrando o elenco do filme O Agente Secreto, dirigido por Kleber Mendonça Filho.

Reprodução

Além delas, outros ex-participantes, como Sabrina Sato, Juliana Alves e Maíra Cardi conseguiram migrar para áreas artísticas e de entretenimento, mostrando que a visibilidade do programa pode abrir portas, mas só permanece quem se profissionaliza.

O que realmente faz diferença depois do “boom” do programa – Aline afirma que os diferenciais vão além da trajetória no jogo. “Talento e postura. Se tiver vocação e carisma então, não precisa nem ganhar o jogo! Já está dentro. E ainda vai ficar mais rico que o vencedor.

Segundo ela, muitos participantes se perdem ao tentar agradar todo mundo nas redes sociais, criando uma imagem que não se sustenta fora do programa. “Não adianta tentar ser o que não é para se adaptar a uma indústria achando que vai fazer diferença. O outro erro é achar que já sabe tudo. Precisa ter uma equipe por trás para trabalhar a imagem e a carreira, estudar muito e se profissionalizar.” O resultado costuma ser uma fama curta, que não se converte em oportunidades no audiovisual.

O manual pós-BBB

Autora do Minimanual de Nomenclaturas e Condições de Trabalho no Audiovisual, obra desenvolvida para profissionais entenderem contratos e funcionamento do mercado, Aline costuma resumir em cinco decisões o que um ex-BBB precisa fazer ao deixar o programa:

Seja você, não perca sua autenticidade;

Aprenda a dizer não;

Não caia em ciladas e escolha bem a equipe que você vai contratar. É muito difícil confiar nas pessoas nesse momento, a maioria só pensa no seu dinheiro;

Seja humilde, você ainda não é “nada”;

Colocar sua família para trabalhar como sua equipe nem sempre é a melhor opção.

Deixar de ser “ex-BBB” e ser visto como artista, é possível, mas exige estratégia e maturidade, segundo a empresária. “É difícil. Tem que ter muito talento, carisma e estudo. Melhor sair um pouco de cena para se preparar e voltar por cima. O problema é que a mídia e a indústria não vão deixar essa pessoa em paz, vão querer explorá-la até jogar no lixo a espera de outra. E é muito difícil quando rola dinheiro e fama instantânea, qualquer um fica com medo de falar não.”

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