Da comédia romântica ao dark romance: como uma leitora de romances clichês se apaixonou pelo lado sombrio da literatura

Considerado por muitos contraditório, o dark romance é atualmente um dos maiores gêneros, principalmente na literatura nacional independente. Autoras como Zoe X, S.M. Silveira, Red R., F. Locks e Caroline Andrade são alguns exemplos de autoras sucesso não só no BookTok, mas de vendas. Lá fora, o nome referência quando se fala de romance dark é com certeza Penelope Douglas, autora da série de livros Devil’s Night.

Engana-se quem pensa que esse tipo de livro surgiu recentemente. Se olharmos para a história da literatura, podemos encontrar as origens do dark romance no final do século XVIII e início do século XIX com o Romantismo Sombrio, movimento literário que veio para se opor aos princípios idealistas do Romantismo original. Edgar Allan Poe, Mary Shelley, Lord Byron e Álvares Azevedo foram grandes autores desse período, explorando em suas obras a tormenta psicológica e os instintos mais sombrios do ser humano através de elementos sobrenaturais.

Podemos entender, portanto, que a presença forte do gênero no mercado literário atual nada mais é que uma demonstração de como o gênero evoluiu desde os séculos passados e se moldou para o público que estava carente de livros com temáticas sombrias que ainda envolvessem o romance. Não entrarei nas discussões sobre os impactos de tais livros e se eles devem ou não serem lidos, pois o meu intuito aqui é outro.

Sou autora de comédias românticas e desde sempre me considerei uma leitora de romances clichês que nunca pensou em sair de sua zona de conforto de casais normais e felizes para sempre. Até que em outubro do ano passado, vagando pelas bookredes, encontrei um vídeo de um trecho do audiobook do livro “Lights Out” da autora Navessa Allen, lançado no Brasil pela editora Alta Novel como “Na Escuridão”.

O livro conta a história da enfermeira Aly Cappellucci, uma enfermeira de trauma obcecada por homens mascarados da internet, acaba atraindo a atenção do misterioso criador de conteúdo Josh Hammond após enviar uma mensagem bêbada pedindo que ele invadisse sua casa. Josh vive uma vida tranquila, com poucos amigos e quase nunca sai de casa, mas por trás dessa fachada ele esconde um segredo: ele é um criador de conteúdo que se esconde atrás da máscara devido aos traumas do passado. Josh e Aly começam um jogo intenso de gato e rato, onde o desejo e a submissão se entrelaçam.

A premissa da história e sua lista de gatilhos quase me impediram de ler esse livro, mas eu resolvi dar uma chance, pois aquele trecho do audiolivro não saía da minha mente. O resultado foi que Lights Out se tornou um dos melhores livros que li em 2024! Apesar de tratar de assuntos bem pesados, a autora soube dosar perfeitamente o tom cômico, o que balanceou perfeitamente com a parte dark. Sem contar que o romance é apenas sensacional!

Foi assim que eu, uma leitora de romances fofos e clichês que tem medo do filme A Órfã, apaixonou-se pelo romance dark! Não vou mentir, não leio tanto o gênero quanto leio comédias românticas, mas de vez em quando, eu me aventuro a conhecer mais livros do gênero e gostaria de deixar aqui algumas das minhas indicações para você que começar a testar as águas sombrias:

  • Na Escuridão – Navessa Allen
  • Cutelo e Corvo – Brynne Weaver
  • Couro e Rouxinol – Brynne Weaver
  • Bad Prince – Zoe X
  • Beautiful Monsters – Sam Bennet

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