Entre os dias 2, 3, 9 e 10 de maio de 2026, Curitiba se torna campo de experimentação para uma prática cênica radical: o curso “Corpos em Latência: Dramaturgias do Butoh”, ministrado por Lucca Lírio, no Espaço KÁ de Artes. Com 20 horas de duração, o curso propõe uma travessia somática onde o corpo deixa de representar para colapsar, resistir e emergir em estado bruto. A partir das linhagens de Tatsumi Hijikata e Kazuo Ohno, a prática convida artistas a atravessarem estados de exaustão, memória, colapso e silêncio, investigando o butoh — linguagem de dança nascida no Japão do pós-guerra — em diálogo com técnicas de teatro físico, práticas somáticas e procedimentos contemporâneos.
Nascido no Japão do pós-guerra, o butoh emerge não como estilo, mas como ferida aberta: uma dança que recusa forma, beleza normativa e virtuosismo. Em vez disso, propõe um corpo em crise — contaminado, atravessado pela história, pelo tempo e pelo colapso. Um corpo que dança nos escombros como erva daninha, persistindo em nascer nas condições mais abjetas.
É nesse território que se insere “Corpos em Latência”. A imersão propõe um campo de investigação onde o movimento não é produzido, mas acontece como consequência de estados internos extremos. O corpo é levado ao limite entre presença e desaparecimento, ação e suspensão.
A prática tensiona dois vetores fundamentais: de um lado, a condução imagética rigorosa de Hijikata; de outro, a abertura sensível e improvisacional de Ohno. Entre esses polos, surge um corpo instável, que falha, repete, hesita — e justamente por isso, cria.
A proposta é direta e exigente: retirar o corpo da lógica produtiva e colocá-lo em estado de escuta radical. Em um contexto contemporâneo marcado pela aceleração, pela hiperconectividade e pela performance constante, o curso propõe desacelerar até o ponto de ruptura — onde o movimento quase não acontece, onde o tempo se dilata, onde o corpo resiste.
O curso também atravessa práticas como Suzuki, Viewpoints, Biomecânica, Técnica Alexander e teatro ritual, não como técnicas a serem dominadas, mas como portais para acessar camadas profundas de percepção e presença.
Com apenas 12 vagas, a proposta cria um ambiente intensivo e irrepetível, voltado a artistas dispostos a abandonar controle, estética e segurança para entrar em contato com a intensidade da experiência e o acompanhamento próximo dos participantes.
“O butoh não é uma estética, mas uma crise. É quando o corpo deixa de saber o que fazer e, justamente por isso, algo verdadeiro pode emergir. A latência é esse espaço entre as metodologias, mas também é o impulso e a ação, onde o gesto ainda não nasceu, mas já está pulsando. É aí que o trabalho acontece”, afirma Lucca Lírio.
Serviço
Corpos em Latência: Dramaturgias do Butoh
2, 3, 9 e 10 de maio de 2026 15h às 20h30 (20h de imersão) Espaço KÁ de Artes – Curitiba
Investimento:
R$ 400 (estudantes) R$ 480 (público geral)
Inscrições: Clique aqui
Foto de capa Divulgação
