Segundo a coluna do jornalista Ancelmo Gois, do jornal O Globo, o caso de racismo que a artista Ludmilla sofreu em 2017 pelo apresentador Marcão do Povo será julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Os advogados do Instituto de Defesa dos Direitos das Religiões Afrobrasileiras entraram com uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) após a absolvição do apresentador na justiça.
O caso aconteceu em 2017 na Record, quando Marcão do Povo chamou Ludmilla de “pobre macaca” em rede nacional. Na época, ele foi demitido da emissora e atualmente trabalha na tv de Silvio Santos, o SBT.
No pedido, o Instituto cita a inconsistência no resultado final do julgamento do processo movido pela equipe jurídica da cantora, pois o juiz do caso teria reconhecido o crime, mas optou pela absolvição ao argumentar que “tratar-se-ia de crime de bagatela, que a proporcionalidade deve prevalecer sobre a criminalização da prática do racismo, que o acusado já teria sido ‘punido’ pela repercussão do caso e que o mesmo estaria “exausto no momento da conduta”.
Os advogados do Instituto, Hédio Silva Jr., Silvia Souza e Anivaldo dos Anjos Filho, ainda reforçaram o pedido ao afirmar que essa é uma situação recorrente no ambiente judiciário. “trata-se de exemplo típico e recorrente de julgamento ideológico em que fatos e provas são substituídos por ilações e predileções racialistas de aplicadores do Direito.”
Em dezembro, quando o caso voltou a viralizar nas redes sociais, a cantora recusou um convite de homenagem no SBT e declarou em seu perfil que não poderia aceitar algo assim enquanto a emissora permite a presença do apresentador em rede nacional. “Eu preciso ser muito honesta aqui. Eu não posso aceitar uma homenagem enquanto essa mesma emissora segue dando voz, segue dando espaço, respaldo a pessoas coniventes com a atitude racista. Isso para mim é incoerente e inaceitável”
Ainda não há atualizações sobre o caso dentro do STF.
