A mistura entre moda e música nos palcos dos festivais

A moda como conhecemos hoje passou por diversas transformações até chegar à era clean girl, nem tudo foi off-white e minimalista. O mundo atravessou fases de cabelos espetados, maquiagem pesada, roupas leves e floridas. Cada período expressou visualmente o contexto cultural e social que o moldou.

A moda e seus movimentos surgem como respostas diretas ao clima mundial. Os movimentos de contracultura, por exemplo, marcaram profundamente a década de 1960 ao confrontar valores políticos conservadores que dominaram os anos anteriores. A estética, nesse caso, funcionou como crítica e ruptura, traduzindo em roupas o desejo de libertação e de questionamento social.

 

A busca por se estabelecer social e hierarquicamente sempre exerceu grande influência sobre a sociedade, e a roupa assumiu papel central nessa classificação. O minimalismo, em ascensão desde os anos 1950, alcança hoje seu auge ao defender uma estética de perfeição e ordem. No livro Modernidade e Holocausto, o sociólogo Zygmunt Bauman argumenta que o projeto moderno pretendia criar uma sociedade “jardinada”, na qual elementos considerados indesejáveis deveriam ser eliminados em nome da pureza e da organização. Essa lógica também aparece no minimalismo contemporâneo, que frequentemente exclui expressões culturais não ocidentais e apaga ancestralidades, criando uma aparência homogênea, clara e “limpa”.

Dentro desse cenário de constantes remodelações estéticas, a relação entre moda e música ganha protagonismo, sobretudo nos palcos dos festivais. Se a moda reflete o espírito de cada era, a performance musical amplifica essa mensagem ao transformar cores, figurinos e estilos em declarações públicas de identidade. Artistas como Rita Lee ajudam a ilustrar esse fenômeno. Assim como a contracultura dos anos 1960 rompeu padrões sociais e políticos, Rita adotou no Brasil uma estética vibrante, debochada e provocativa. Suas roupas coloridas, suas referências culturais e seu humor ácido confrontaram o sistema ditatorial vigente, reforçando sua imagem de rebelde e consolidando sua presença como símbolo de liberdade artística.

A imagem de Rita Lee se tornou tão marcante quanto sua obra musical, mostrando como moda e som se combinam para construir narrativas culturais que atravessam gerações. Em uma era que tenta uniformizar estilos e reduzir diferenças, a história de artistas como a eterna ovelha negra evidencia que moda e música continuam funcionando como espaços de resistência. 

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