Há algum tempo essa pergunta vem sendo levantada dentro da comunidade literária, muitas vezes sendo tratada como um assunto polêmico, pois uma grande parcela dos leitores defende que ouvir audiobooks não deve ser considerado como leitura. Como uma leitora assídua há vinte anos e adepta ao hábito de ouvir audiobooks há quase cinco, acredito que seja interessante não só dar minha opinião a respeito, mas trazer dados científicos que demonstrem porquê acredito que a resposta para essa pergunta é definitivamente sim.
A neurocientista cognitiva, Nadine Gaab, deu uma entrevista ao The Harvard Gazette a respeito e disse que, na prática, não há tanta diferença entre ler ou ouvir uma história, pois “a área do cérebro que chamamos de ‘caixa de letras’, que processa a linguagem escrita, não é tão solicitada quando ouvimos; no entanto, já se demonstrou que, ao ouvir palavras, algumas pessoas as visualizam, fazendo com que essa área também seja ativada.”
Diante disso, podemos entender que o cérebro humano vai processar o livro físico e o audiolivro da mesma forma. O que faz muito sentido se pensarmos que até que as primeiras formas de escrita fossem criadas, as histórias só eram reproduzidas oralmente entre as gerações.
“Se você é um bom leitor na vida adulta, não importa se você lê o livro ou ouve o audiolivro”, Gaab argumenta ao final do artigo, trazendo o exemplo universal de quando somos crianças e nossos pais leem histórias em voz alta antes de aprendermos a ler por conta própria. Tenho certeza que mesmo aqueles que não tiveram seus pais fazendo isso, tiveram uma professora na infância que lia livros, portanto todos nós fomos ouvintes de audiobooks alguma vez na vida.
Sem contar que não podemos excluir dessa equação pessoas com baixa ou nenhuma visão, pessoas com dislexia e TDAH, pois ler “de modo tradicional” acaba sendo mais difícil ou até mesmo impossível em alguns casos. Ter a opção de ouvir o livro faz com que a leitura se torne mais inclusiva e possibilita a formação de novos leitores.
Portanto, é possível dizer sem sombras de dúvidas que audiobooks contam sim como leitura e não são uma forma de “trapacear” para ler mais livros. Se tudo que você leu aqui ainda não te convenceu disso, convido você a experimentar ouvir um livro enquanto faz uma tarefa manual ou unir a leitura visual com o audiobook para uma imersão maior. Posso te garantir que no mínimo você vai perceber que o problema não é o formato, mas sua capacidade de concentração que está baixa.
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