O Olhar de Cinema proporcionou uma cápsula do tempo ao público curitibano ao trazer a exibição na mostra Olhares Clássicos do filme do diretor Frederick Wiseman (1930-2026), “High School”. Gravado dentro de uma escola pública da Filadélfia dos anos 60, o longa traz uma perspectiva diferente da linguagem artística do cinema e da própria realidade do país na época.
Em pouco mais de uma hora, Wiseman levanta questões sociais importantes, como os adolescentes sendo tratados como adultos, sem a menor responsabilidade pedagógica plausível. A interferência familiar direta no ensino público e como tanto professores quanto coordenadores pedagógicos utilizavam de seus lugares na bolha social para inflar poder sob aqueles que na prática – e não na teoria – eram seus subordinados, os alunos.
O diretor consegue captar a essência de uma geração que luta para ser ela mesma, sem rótulos e sem exigência mínima. Jovens, com sonhos sim, mas com uma vontade pulsante de transformar a realidade que os cerca já nos corredores do colégio.
Seja na roupa, nas relações sociais entre gerações ou na forma de estudar, aquela geração tinha muito a dizer, e tudo o que queriam era serem ouvidos. Contudo, um sistema de opressão disfarçado de acolhimento não os permitiu. Sonhos enclausurados de uma forma cruelmente passiva, onde não precisava do grito superior, mas um olhar que condenava tudo.
Em uma linguagem cinematográfica detalhista, Wiseman brinca com os elementos da sétima arte para transformar esses olhares e tais perspectivas em uma experiência a ser – de fato – documentada e vivida anos mais tarde. O cinema em sua forma pura e clássica, que não precisa de grandes orçamentos ou históricas com arcos dramáticos. Basta uma câmera, uma história a ser contada e um olhar único.
O Olhar de Cinema, Festival Internacional de Curitiba, segue com uma programação impecável até o dia 13 de junho de 2026. Acompanhe a cobertura completa no Folhetim Cultural.
