“Hokum – O pesadelo da bruxa” combina terror psicológico e sobrenatural com maestria

“Hokum” é um termo inglês para designar algo aparentemente legítimo, mas, que na verdade é  falso ou absurdo – e esse é o título original do filme. No Brasil, ganhou o nome Hokum – O Pesadelo da Bruxa.

No longa, Ohm Baum, vivido por Adam Scott, é um escritor de ficção marcado por traumas profundos. Ele se refugia em uma pequena cidade na Irlanda para espalhar as cinzas de seus pais e tentar finalizar seu livro. Ohm se hospeda no mesmo hotel onde os pais passaram a lua de mel, um lugar envolto em mistérios e na lenda sombria de uma bruxa que arrasta quem cruza seu caminho.

Dirigido e roteirizado por Damian McCarthy, o filme abre com tons de terror sobrenatural. Ao chegar, Ohm depara com a cabeça de uma cabra na entrada, quase associando a rituais de sacrifício. No lobby, um senhor conta a duas crianças uma história arrepiante sobre uma bruxa que acorrenta as pessoas e mora no hotel. A suíte nupcial, sempre trancada, é apontada como seu lar. A iluminação lúgubre, aliada à decoração de Halloween com cores quentes e frias, cria uma atmosfera pesada, opressiva e obscura.

O que começa como sobrenatural logo migra para o terror psicológico – sem abandonar o primeiro, graças à mescla original dos subgêneros por McCarthy, que constrói expectativa para o ápice da trama. Aos poucos, desvenda-se o trauma de Ohm, enquanto o hotel revela uma ligação emocional com ele, espelhando seu interior soturno e repleto de compartimentos assombrados. Personagens secundários bem integrados evitam que a narrativa se centre só na jornada do protagonista, enriquecendo o conjunto.

O filme evita a linearidade: os jump scares, embora previsíveis, servem menos para chocar e mais para manter a tensão se realmente a bruxa existe ou não passa de uma lenda. Toda a ambiência assombrada do hotel reflete o psiquismo de Ohm, convidando-o – e o espectador – a explorar suas profundezas.

Hokum – O pesadelo da bruxa é um healing horror. No longa, o fogo se apresenta como renovação, restauração e ajuda a completar a catarse de Ohm. McCarthy consegue proporcionar uma experiência imersiva na história, combinando terror psicológico com o sobrenatural com maestria, dando ao espectador uma narrativa com certa potência e que no final saímos do cinema com a certeza de ter assistido a uma boa produção do gênero.

O filme estreia nos cinemas em 21 de maio.

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