Espetáculo “BOCA” ocupa o Sesc Copacabana com funk, passinho e potência periférica

Através do funk, da performance, do passinho como potência artística e do corpo como território de criação, o Grupo Corre estreia o espetáculo “BOCA”, no Sesc Copacabana nesta quinta-feira (7), às 20h30, e segue em cartaz de quinta a domingo até 17 de Maio. A obra surge para nomear a fome de existir, falar e dançar, transformando em cena experiências atravessadas pelo movimento, pela musicalidade e pelas vivências de quem vive o corre nas periferias cariocas. Ingressos a partir de R$15.

A montagem traz uma visão abrasileirada do corpo em movimento e da boca como princípio criador: Come o que precisa, cospe o que quiser. Não responde à espera de ninguém, nem devolve o mundo limpo. “‘BOCA’ surge como desdobramento de pesquisas, vivências de cria e trocas dentro do Grupo Corre. A peça se constrói a partir da vontade de organizar essas experiências em uma linguagem cênica e nomear essa fome de existir, falar e dançar”, destaca Celly IDD, diretora do espetáculo e também pioneira do “Passinho Foda”.

A obra dialoga diretamente com a cena do funk carioca, especialmente com o “Passinho Foda”, que já ganhou destaque no documentário Passinho Foda: O Corre por Trás da Dança, da Netflix. As referências de “BOCA” também atravessam culturas como afro, vogue e hip hop, mas têm origem na diversidade popular brasileira, passando por frevo, capoeira e escolas de samba. Em cena, cada corpo carrega sua trajetória, favela e identidade em constante transformação.

Na dramaturgia, urgência, repetição e excesso não aparecem como desordem, mas como princípio organizador da cena. O funk aparece como prática de mundos: indisciplinada, rítmica, coletiva, acima da moral e da ilusão do bem e do mal. O funk, assim como Èsú, é a boca que tudo come.

A montagem aposta na identificação e no impacto direto do corpo em cena, despertando sensações e questionamentos que seguem para além do espetáculo. “A gente quer provocar o público a sentir e se reconhecer no movimento. O espetáculo convida cada pessoa a sair do automático e olhar para si com mais liberdade e presença. ‘BOCA’ apresenta o caos como lugar de criação, onde tudo pode ser reorganizado. O que fica é aquilo que cada um escolhe absorver, transformar e devolver a partir da própria vivência”, afirma a diretora.

A criação dialoga com um texto-base de referência conceitual e pesquisa do diretor artístico e pesquisador de movimento Léo Garcia, que traz o conceito de Èṣù Onã Ebo como ponto de partida. “A partir desse disparador, eu, Celly, nomeio o espetáculo como ‘BOCA’ e desenvolvo a obra”, conta.

Estrear no Sesc Copacabana tem significado importante para o grupo. “O passinho é uma cultura que move corpos e territórios ao mesmo tempo. Ele nasce na favela, se fortalece nela e se expande como linguagem de encontro, de criação e de identidade.

Estrear o espetáculo no Sesc Copacabana tem um significado importante pra gente porque é atravessar a cidade com aquilo que já nos atravessa todos os dias. É levar a nossa forma de existir para outros espaços sem abrir mão da origem. É afirmar que essa cultura já circula no Rio inteiro, não como algo que chega agora, mas como algo que sempre esteve em movimento, criar ponte: fazer com que diferentes públicos se encontrem através da arte. E, principalmente, garantir que nossos corpos estejam onde tentam nos excluir”, pontua Celly.

O projeto foi selecionado pelo Edital de Cultura Sesc RJ Pulsar e tem produção e gestão da Quafá Produções, produtora com mais de 15 anos de atuação no mercado das artes da cena em âmbito nacional e internacional, com foco em produções ligadas às culturas urbanas, periféricas e populares.

Grupo Corre

Fundado em novembro de 2021, no Rio de Janeiro, e nascido da experiência de quem vive no corre, o grupo reúne artistas oriundos do ‘passinho foda’ com o propósito de colocar essa dança em posição protagonista nos palcos e espaços culturais da cidade, fortalecendo o passinho como linguagem artística e ampliando seus caminhos para além das batalhas e intervenções urbanas.

Os dançarinos colocam em protagonismo suas trajetórias, memórias e invenções como forma de existência.  Mantendo um legado, articulando a juventude, criando e sobrevivendo em um mesmo corpo cultural, onde dançar não é apenas expressão estética, mas prática de permanência, afirmação e continuidade.

“‘BOCA’ não é o início do nosso corre, mas é um marco. É o primeiro espetáculo com essa estrutura e esse aprofundamento cênico, onde organizamos nossas pesquisas e vivências em uma obra mais consolidada”, ressalta Celly IDD.

Serviço

BOCA

Data: Entre os dias 7 e 17 de Maio

Dias da semana: de quinta a domingo

Horários: Quinta e sexta-feira às 20h30. Sábado e domingo às 19h30

Local: Mezanino do Sesc Copacabana

Endereço: Rua Domingos Ferreira, 160 – Copacabana, Rio de Janeiro – RJ

Ingressos: R$ 21 (associado do Sesc), R$ 27 (convênio Sesc), R$ 15 (meia-entrada) e R$ 30 (inteira)

Informações: (21) 3180-5226

Bilheteria – Horário de funcionamento: Terça a sexta – das 9h às 20h; Sábados, domingos e feriados – das 14h às 20h.

Classificação indicativa: 16 anos

Duração: 50 min.

Ficha Técnica

Direção: Celly IDD

Assistente de Direção: DG Fabulloso

Intérpretes-Criadores: Celly IDD, DG Fabulloso, André Oliveira DB,Iza IDD, Khalifa IDD, Laranjinha Ritimado, May IDD, Neguebites MR, Destemida IDD, Peterson Sidy

Trilha sonora / Produção Musical:  Danger e Celly IDD

Consultoria Dramatúrgica: Nyandra Fernandes

Iluminadora e Operação de Luz: Tainã Miranda

Figurinista: CESANNE

Assistente de Figurino: KIAH

Costura e Confecção: Ateliê Suprassumo

DJ: DJ Fellyp KM Dois

Coordenação de Produção: Rafael Fernandes

Produção Executiva: Paulla Mello

Programação Visual: Leony Fabulloso

Cobertura Fotográfica: Berro inc /  Priscila Martinho

Filmmaker: Felipe Combo

Social Media: Iago Damasceño

Assessoria de Imprensa: Monteiro Assessoria

Gestão: Quafá Produções

Agradecimentos: EstudeOFunk, Centro Coreográfico da Cidade do Rio de Janeiro, Léo Garcia

Via Assessoria de Imprensa

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