Fallout: O apocalipse nunca foi tão divertido

A guerra pode nunca mudar, mas as adaptações de videogames certamente mudaram. Se você perguntasse para qualquer pessoa até alguns anos atrás, adaptações de games para cinema e televisão eram sinônimo de produções de péssima qualidade. Entretanto, recentemente temos visto um novo boom de ótimas adaptações de games, seja no cinema com a franquia Sonic (2020, 2022 e 2024) e Super Mario Bros – O Filme (2023), seja nas animações com Castlevania (2017-2021), Arcane (2021) e Cyberpunk: Mercenários (2022) e em séries live-action com a elogiadíssima The Last of Us (2022). E me traz muita felicidade em dizer que a série Fallout, produzida pela Prime Video, é digna de estar neste mesmo grupo de ótimas produções.

200 anos após uma guerra nuclear devastar o mundo, Lucy (Ella Purnell), sobrevivente de um abrigo nuclear chamado “Refúgio 33”, se vê obrigada a deixar o conforto de seu lar subterrâneo e embarcar em uma jornada pelos Ermos, conhecendo as diferentes pessoas, facções e criaturas mutantes que habitam o mundo pós-nuclear.

Logo de cara, eu gostaria de destacar aquele que é o maior acerto da série enquanto adaptação: ela é o melhor de dois mundos. Por se tratar de uma trama original criada para a série, ela é extremamente acessível para aqueles que sequer conhecem os jogos. Todas as informações necessárias para o entendimento da história são apresentadas nos episódios, e, ao mesmo tempo, também é recheada de várias referências e homenagens que vão deixar fãs do RPG com um sorriso no rosto.

Divulgação Prime Video

Isso demonstra um íntimo conhecimento por parte de Jonathan Nolan, produtor-executivo da série, e da equipe de roteiristas tanto da franquia Fallout quanto como usar o formato de série para se contar uma boa história, conseguindo retratar toda a essência deste vasto universo e ainda o tornando acessível. Vale ressaltar que Todd Howard, um dos principais produtores dos jogos, também participou da produção da série.

E falando em universo, o design de produção da série é um de seus principais pontos positivos, capturando toda a atmosfera de Fallout. Seja nos diferentes figurinos, o interior dos Refúgios, as cidades da superfície, as armaduras da Irmandade do Aço, as criaturas mutantes, a tecnologia, o estilo “retro futurista” anos 50 e as canções de jazz, tudo é tão bem recriado que parecem ter saltado direto dos jogos para a série. É notável o grande investimento feito para dar vida ao seriado, com atenção aos mínimos detalhes para deixar o mais autêntico possível. A série também representa muito bem o tom de violência exagerada e perigo nas cenas de ação, bem como o humor ácido, bizarro e satírico através dos diálogos dos personagens.

E por falar em personagens, existem três principais que acompanhamos no decorrer dos 8 episódios. Começando pela protagonista Lucy, a atriz Ella Purnell entendeu exatamente como a personagem devia ser. Lucy é uma moça otimista, inocente, idealista e ingênua, um produto de sua criação dentro do Refúgio, que no decorrer da jornada vai se transformando em uma guerreira e sobrevivente dos Ermos. A atuação de Purnell transmite todos esses sentimentos e a gradativa evolução da garota ao longo da série de forma muito natural, além de ser extremamente carismática.

Maximus, interpretado por Aaron Moten, é um recruta da Irmandade do Aço, uma facção paramilitar que coleciona tecnologia pré-guerra e atua tal qual os cavaleiros templários. O personagem almeja se tornar cavaleiro, mas está disposto a tomar decisões questionáveis para alcançar seus objetivos. A parte mais interessante do personagem é essa dúvida constante que o espectador fica ao vê-lo em tela. “Será que ele realmente fez isso?” foi algo que me questionei de forma recorrente. Dito isso, ele é o mais fraquinho dos três personagens. Não chega a ser ruim, só abaixo de Lucy e do próximo personagem.

Possivelmente o melhor da série, o Necrótico é um humano que sofreu várias mutações físicas devido a radiação, perambulando pelos Ermos como um caçador de recompensas. Interpretado por Walton Goggins, o personagem sempre rouba a cena, seja nas sequências de tiroteio ou em momentos que descobrimos mais sobre seu passado, a sociedade pré-guerra e a empresa responsável pela criação dos Refúgios, a Vault-Tec.

Quanto ao ritmo, eu gostei bastante como a história se desenrolou, ficando entretido e intrigado do começo ao fim. Eu vejo que algumas pessoas podem, se incomodar em certos momentos que o ritmo dá uma pequena arrastada, especialmente entre os episódios 4 a 6, mas particularmente não atrapalharam minha experiência assistindo.

Em resumo, Fallout da Prime Video é uma ótima série e excelente adaptação de uma das franquias mais amadas dos games. Trazendo uma história e mundo muito interessantes, personagens carismáticos e um ótimo valor de produção que é, ao mesmo tempo, uma carta de amor à franquia e acessível a todos os públicos. E o anúncio de uma segunda temporada, apenas uma semana após a estreia da série, me deixa muito animado e empolgado para ver os próximos passos da jornada de Lucy e companhia pelos Ermos.

⭐⭐⭐⭐

Assista ao trailer:

 

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