“O Festival de Curitiba está comprando uma briga”, diz Milton Cunha sobre aposta na cultura popular

Desde que levou à capital paranaense os bois Caprichoso e Garantido, vindos de Parintins, para a abertura de 2024, o Festival de Curitiba passou a investir mais na valorização da cultura popular como forma de se manter vivo e relevante. Essa é a avaliação do carnavalesco Milton Cunha, que, após atuar como mestre de cerimônias na edição passada, retorna agora a um dos maiores eventos de artes cênicas da América Latina com a aula-show “Samba: as escolas e suas narrativas”. A apresentação, baseada em suas pesquisas na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), marca a abertura oficial do Festival nesta segunda-feira, 30 de março, na Pedreira Paulo Leminski.

“O Festival está comprando uma briga”, elogiou ele, usando um chamativo traje verde-limão, colares exuberantes de búzios com corais e óculos escuros, mesmo em ambiente fechado. Ao comentar as tentativas de parte da elite política de apagar a história do carnaval curitibano, foi direto: “Se você não gritar e não reagir, o racismo estrutural engole tudo o que é popular. A resistência é intensa e agressiva.”

As falas ocorreram na manhã desta segunda-feira (30), durante entrevista coletiva realizada na Sala de Imprensa Teuda Bara & Maurício Vogue, no hotel Mabu, base de operações do Festival.

Milton também relembrou o período em que iniciou seus estudos sobre escolas de samba na UFRJ. “Quando eu disse que queria analisar a estrutura narrativa das escolas, vocês precisavam ver a reação da banca. Ficaram assustados. Disseram que não havia futuro nem bibliografia que sustentasse isso”, contou.

“Eu sou a bibliografia, porque estou ao lado de quem estou”, respondeu, citando Mestre Ciça — histórico mestre de bateria que inspirou o enredo campeão mais recente da Unidos da Viradouro — e Nilse Fran, atual vice-presidente da Portela, ambos presentes na coletiva.

Segundo o carnavalesco, as escolas de samba desenvolveram uma forma de contar histórias que não encontra paralelo no mundo. Ele aponta como manifestações semelhantes apenas procissões religiosas, entradas régias — desfiles realizados em ocasiões ligadas à monarquia europeia — e celebrações da colheita de uvas na Grécia Antiga, dedicadas a Dionísio, deus do vinho. “Até existem parentes, mas como estrutura narrativa, as escolas de samba são únicas”, afirmou.

Essas agremiações começaram a se organizar em 1928, nos morros do Rio de Janeiro, guiadas pela batida sincopada do samba, em contraste com o carnaval da orla, onde predominava a polca europeia — o que Milton costuma chamar de “carnaval dos cheirosos”.

“Visualmente era bonito, mas sonoramente monótono, sem ziriguidum”, analisou. “O carnaval que conhecemos hoje nasce da cultura popular, periférica e negra. E, como contratado da Rede Globo, aproveito todas as oportunidades para reforçar isso.”

Para ele, trata-se de uma manifestação impossível de ser reproduzida por inteligência artificial. E ilustrou a ideia com bom humor: “Já tentei fazer sexo com uma inteligência artificial e não gostei. Faltava o balanço do mar, só tinha o tamanho da onda”, brincou.

A aula-show idealizada por Milton reúne representantes de cerca de 14 escolas de samba do Rio de Janeiro e, em Curitiba, contará também com integrantes da velha guarda das agremiações locais. “Não faria sentido vir até aqui sem falar das dores e das alegrias dos sambistas curitibanos”, concluiu.A Mostra Lucia Camargo, a Mostra Fringe e o Interlocuções são apresentados por Petrobras, Sanepar e Governo do Estado do Paraná, Prefeitura de Curitiba e Fundação Cultural de Curitiba, Renault e Geely, com patrocínio de EBANX, Viaje Paraná, Itaipu Binacional e Copel, com realização do Ministério da Cultura e Governo Federal – Do lado do povo brasileiro e Paraná Festivais – Governo do Paraná. Confira no site oficial todos os espetáculos que contam com acessibilidade em Audiodescrição e intérpretes de Libras.

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Foto Annelize Tozetto

Serviço

34.º Festival de Curitiba

Data: De 30/3 até 12/4 de 2026Valores: Os ingressos vão de R$00 até R$85  (mais taxas administrativas).

Ingressos: www.festivaldecuritiba.com.br e na bilheteria física exclusiva no Shopping Mueller – Piso L3 (Segunda a sábado, das 10h às 22h e, domingos e feriados, das 14h às 20h).

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Foto de capa Annelize Tozetto

Via Assessoria de Imprensa

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