Praticamente todo brasileiro que assiste à televisão já ouviu, ao menos uma vez, a famosa vinheta do Plantão da Globo. Seja no meio de uma novela ou de um programa de auditório, a interrupção é imediata e chama a atenção, instaurando um clima de tensão entre os telespectadores. Mas por que isso acontece?
A Globo passou a adotar os plantões jornalísticos nos anos 1980. Naquele período, apenas um selo do telejornal mais próximo do horário da notícia urgente surgia na tela. Foi somente em 1991 que a vinheta sonora, hoje amplamente reconhecida, entrou no ar. Na época, a emissora promoveu um concurso interno, vencido pelo músico João Nabuco, que integrava a equipe havia pouco tempo. A vinheta permanece até hoje, com alterações restritas ao design visual da chamada.
“Na verdade, não é uma questão da vinheta. As pessoas acham que notícia ruim é mais urgente do que notícia boa. Se uma pessoa morre, é urgente. Se alguém nasce, pode esperar até 20h30 para ver no Jornal Nacional”, afirmou Nabuco em entrevista ao UOL, em 2016.

A explicação encontra respaldo na prática. São raras as ocasiões em que o Plantão da Globo anunciou boas notícias. Em geral, a vinheta antecede fatos trágicos ou a morte de personalidades conhecidas.
O psicanalista Christian Dunker, mestre e doutor em psicologia pela Universidade de São Paulo (USP), comparou o efeito da vinheta aos alarmes que antecedem o início de uma peça de teatro. Em entrevista ao UOL, ele afirmou: “Você sente a iminência, a indeterminação, o ‘agora vai começar’. Esse sinal representa uma espécie de angústia genérica. A gente não sabe o que vai vir, mas a fantasia ocupa aquilo com uma resposta”.
O ano de 2016 registrou o maior número de aparições do Plantão da Globo, com 25 entradas ao vivo. A maioria trouxe informações sobre o processo de impeachment da então presidente Dilma Rousseff. Também houve plantões para noticiar a morte do ator Domingos Montagner e o acidente aéreo com a equipe da Chapecoense.
Em síntese, o Plantão da Globo não se limita a anunciar notícias tristes, mas consolidou, ao longo do tempo, uma sensação coletiva de medo e tensão associada ao seu som característico. Trata-se de um sinal que atravessa gerações e reúne famílias diante da televisão para ouvir o que o jornalista tem a comunicar.
