Eternos esnobados do Oscar: Talento, prestígio e a injustiça da Academia

Ao longo de quase um século de existência, o Oscar construiu uma imagem de termômetro máximo do prestígio cinematográfico. No entanto, a história da Academia também é marcada por omissões difíceis de justificar. Muitos artistas renomados atravessaram décadas, e até carreiras inteiras, sendo ignorados, subestimados ou sistematicamente derrotados, mesmo com trabalhos amplamente celebrados pela crítica e pelo público.

Com base nos dados atualizados até 2026, alguns nomes seguem simbolizando as maiores “injustiças” da premiação.

Recordistas de indicações sem vitória

Poucos casos são tão emblemáticos quanto o de Glenn Close. A atriz permanece como a intérprete viva com o maior número de indicações ao Oscar sem nunca ter vencido uma estatueta competitiva: são oito indicações, atravessando décadas e gêneros, sem reconhecimento final.

Glenn Close | Reprodução

Outro nome constantemente citado é Amy Adams, que soma seis indicações sem vitórias. Sua recorrente presença entre as indicadas consolidou a percepção de que a Academia reconhece seu talento — mas hesita em premiá-lo.

Amy Adams | Reprodução

Já Bradley Cooper ocupa uma posição curiosa: com mais de dez indicações, distribuídas entre atuação, roteiro e produção, ele se tornou um dos artistas mais lembrados da era recente sem jamais ter conquistado um Oscar competitivo.

Bradley Cooper | Reprodução

Grandes nomes que nunca venceram

Alguns dos maiores ícones do cinema mundial nunca seguraram uma estatueta por atuação. Entre eles estão Tom Cruise, Johnny Depp, Samuel L. Jackson, Edward Norton, Ralph Fiennes, Willem Dafoe, Harrison Ford e Ian McKellen — artistas cujas performances moldaram gerações e redefiniram o cinema popular e autoral.

Na direção, a ausência é ainda mais chocante. Alfred Hitchcock e Stanley Kubrick, dois dos cineastas mais influentes da história, nunca venceram o Oscar de Melhor Direção, apesar de prêmios honorários e técnicos. O mesmo destino acompanha David Lynch e Paul Thomas Anderson, autores fundamentais do cinema moderno que seguem sem vitórias na categoria.

Os “Esnobados” do Oscar 2026

A lista de indicados anunciada em janeiro de 2026 trouxe novas controvérsias. Ariana Grande e Cynthia Erivo ficaram completamente de fora das categorias de atuação pela sequência Wicked: Part II, que surpreendentemente não recebeu nenhuma indicação.

George Clooney também foi ignorado na categoria de Melhor Ator por sua performance em Jay Kelly, filme dirigido por Noah Baumbach. Outro nome que gerou repercussão foi Paul Mescal, que não recebeu indicação por seu trabalho como William Shakespeare em Hamnet.

Talvez o caso mais comentado tenha sido o de Guillermo del Toro. Embora Frankenstein tenha conquistado oito indicações, incluindo Melhor Filme, o diretor foi deixado de fora da disputa por Melhor Direção — uma exclusão que reacendeu o debate sobre os critérios da Academia.

Guillermo del Toro | Reprodução

Lendas que nunca foram indicadas

Ainda mais surpreendente é lembrar que alguns artistas nunca sequer chegaram a ser indicados ao Oscar. Entre eles estão Bruce Willis, John Cusack,  e Mia Farrow — nomes profundamente ligados à memória afetiva do cinema e responsáveis por performances icônicas.

Um termômetro imperfeito

Esses casos reforçam uma verdade incômoda: o Oscar não mede genialidade, impacto cultural ou relevância histórica de forma absoluta. Ele reflete preferências, tendências, campanhas e, muitas vezes, um recorte bastante específico do que a indústria considera “premiável”.

Ser ignorado pela Academia, portanto, nunca foi sinônimo de irrelevância. Para muitos desses artistas, o verdadeiro reconhecimento veio do público, da crítica e do legado — algo que nenhuma estatueta consegue substituir.

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